Os últimos meses têm sido marcados por uma onda de acidentes que já produziram dezenas de mortes. De crianças a adultos, vários são os cidadãos que viram as suas vidas terminadas, parentes com sonhos desfeitos e, acima de tudo, originando um número considerável de órfãos, viúvas e muitos desprotegidos.
O acidente do início desta semana, em Cabo Ledo, em que um dos autocarros da Macon esteve na origem de mais de 10 mortes, acabou por relançar o debate em torno da segurança nas estradas e a situação das próprias empresas. Mas a verdade é que, quase diariamente, são muitos os cidadãos que perdem as suas vidas.
O número de vítimas mortais dos últimos dias, em que até o Presidente da República, João Lourenço, se pronunciou, exige medidas concretas no sentido de se salvar o maior número de vidas no futuro, e assim afastar igualmente o país da lista dos países com níveis de sinistralidade mais mortíferos do mundo. À semelhança de outras situações, era expectável que a sociedade visse nas autoridades dos transportes um órgão que agisse de forma preventiva e não reactiva.
Os últimos pronunciamentos da entidade que superintende os transportes terrestres indicam que os que dirigem a instituição estarão à margem do que verdadeiramente se passa no sector. Senão vejamos: só após a tragédia é que os angolanos, através de um comunicado disseminado nos órgãos de comunicação social, souberam das 50 empresas em situação irregular.
São transportadoras que diariamente levam de um local ao outro, do Norte ao Sul e do Mar ao Leste, milhares de cidadãos que trabalham nestas paragens, vivem, passam férias ou até estrangeiros em turismo. Sacudindo-se a água do capote nos termos em que parece ter surgido o comunicado, fica-se com a impressão de que a culpa poderia estar somente do lado das empresas transportadoras, que diariamente rasgam as estradas do país, independentemente das condições de algumas vias.
Mas, quando se olha de forma mais profunda para a lista das mais de 50 empresas, sobressai o facto de aí estarem incluídas as maiores empresas de transportação do país. Não se pode descurar o facto de muitas delas poderem estar irregulares, mas, em sentido inverso, qualquer mente pensante, neste momento, se questionaria quanto ao facto de não se ter ultrapassado este problema em tempo útil.
Até para um leigo, salvo melhor explicação dos responsáveis que tutelam os transportes terrestres, será de todo necessário rever também os mecanismos de regularização e de controlo. Vir a público depois de uma tragédia pode indicar que nem mesmo quem deve apurar a regularidade estava a acompanhar a situação convenientemente.






