Sempre que se aproximam as eleições, há uma questão que invade a consciência de muitos cidadãos e políticos em relação aos participantes do pleito. Por que razão é difícil a oposição apresentar-se numa única frente, embora seja este um dos objectivos que alguns dos seus integrantes vêm manifestando para enfrentar o poderio político, indiscutível, do MPLA, o partido que governa o país.
Tão logo se deu a democratização do país, nos princípios dos anos 1990, depois de uma guerra fratricida entre angolanos, nem todos os políticos, na altura, viram com bons olhos o surgimento de outros. Até então, depois de Bicesse, quase que só se conhecia o MPLA, a UNITA, então subscritora dos referidos acordos, e a FNLA, que deixara as matas, mas o ‘dinossauro’ Holden Roberto ainda acreditava possuir pergaminhos políticos que lhe levariam ao Palácio da Cidade Alta.
Foi nesta altura, se muitos se lembram, que vieram depois a surgir outras forças políticas que acabaram por não cair no gosto daquelas que se apresentavam como supostos representantes da oposição política. Estamos lembrados de que muitos destes partidos políticos acabaram apelidados de partidecos pelo então líder da UNITA, Jonas Savimbi. Três décadas depois, o que se vai assistindo ainda é uma falta de coesão dentro da própria oposição, ou seja, os principais inimigos desta família política continuam a ser os seus próprios responsáveis.
Vezes há em que se procura atribuir culpas ao MPLA sobre o que se passa no interior da oposição, mas a verdade é que a guerra de egos entre muitos dos seus líderes continua a ser o principal empecilho que dificilmente fará vincar uma frente comum, como às vezes se pretende vender. Nos últimos anos, sobretudo nas eleições de 2017 e 2022, a questão da união ou desunião da família política da oposição voltou a evidenciar-se, principalmente no último pleito.
Para as eleições do próximo ano, que já estão a aquecer o país, começa a ser evidente que, longe de se enfrentar o partido no poder, os sinais demonstram que há uma guerra aberta pelo controlo da oposição. A entrada em cena do PRA-JA Servir Angola acaba por complicar as ambições e os egos a nível da própria oposição.
Antes do seu reconhecimento, era visível a forma como muitos políticos da oposição se atiravam contra as autoridades judiciais, acusando-as de não querer reconhecer este novo ente por conta de supostos receios.
Após a sua legalização, que veio a ocorrer – e com a saída de Abel Chivukuvuku da então proclamada Frente Patriótica Unida – nota-se que este antigo ‘compagnion de route’ se tornou um dos principais alvos de políticos da própria oposição, incluindo aqueles que o endeusavam quando, com o seu contributo conseguiram, por exemplo, que a UNITA alcançasse 90 deputados.
E à medida que o pleito do próximo ano se vai aproximando, vão surgindo igualmente situações que nos levam a crer que teremos uma luta renhida entre a própria oposição.
Não era expectável, por exemplo, que, numa altura desta em que se deveriam focar em assuntos que fossem úteis ao país, houvesse peleja entre integrantes da UNITA e do próprio PRA-JA Servir Angola, cujo líder já accionou advogados para processar o líder dos ‘maninhos em Luanda’. Da janela, como não poderá deixar de ser, o MPLA certamente vai assistir ao filme de que não lhe podem sequer acusar de ter promovido. É a política…









