Quando, há alguns anos, abriu, na capital do país, um dos seus gestores mostrava-se confiante no futuro do mesmo por conta do benefício que traria à comunidade em que está situado, na nova província de Icolo e Bengo. Passados alguns meses, praticamente frustrado, o referido gestor confessara que era necessário que todos os funcionários da instituição de saúde passassem por uma revista, sempre que saíssem do recinto.
Antes disso, era imperioso que nenhum técnico entrasse com pastas ou outros assessórios. Espantado, como não poderia deixar de ser, esperava que o que estivesse a escutar fosse um exagero, num primeiro momento. Posteriormente, tive ainda a esperança de que se tratasse de um mal-entendido, fruto de alguma frustração momentânea.
Numa medida que pode ser descrita como autoprotecção, passou-se a proibir a entrada de pastas e outros bens, assim como se efectua, segundo apurámos, a revista de quem sai. É que, além dos problemas ligados à gestão das unidades sanitárias em quase todo o país, os seus gestores têm que estar atentos ao furto quase desenfreado de meios e medicamentos por parte dos próprios funcionários dos hospitais e centros de saúde.
Com regularidade, tanto nos grandes centros urbanos, como na periferia das grandes capitais ou municípios, ouvimos relatos de funcionários que furtaram bens dentro dos hospitais. Os medicamentos e materiais gastáveis têm sido as principais preferências, acabando muitos destes bens por repousar nas prateleiras de farmácias ou ainda bancas de venda nos mercados informais. Infelizmente, os principais suspeitos têm sido jovens.
Muitos dos quais na flor da idade, depois de terem lutado durante meses ou anos para conseguir os referidos postos de trabalho no Estado. Muitos destes acabaram por ser detidos e depois expulsos, ao passo que outros, que insistirem na mesma prática, poderão ter o mesmo destino.
Confesso que, entre as denúncias feitas – ou até as detenções da Polícia Nacional – nada se assemelha às apresentadas esta semana com os dois jovens, de 30 e 31 anos, que furtaram camas e outros bens do CETEP para apetrecharem um centro de saúde que já haviam criado. Através dos órgãos de comunicação social, já vimos quase tudo.
Tem sido quase comum observar-se a apresentação de técnicos e até gestores que furtaram medicamentos e outros bens, mas não tenho memória de algo tão ousado como retirar um conjunto de meios em pleno dia para apetrechar uma unidade privada.
Agora é vê-los aos choros, apresentando-se como arrependidos, quando, certamente, poderiam ter uma outra opção. Infelizmente, aqueles que mais criticavam os mais-velhos de delapidar o erário ou, supostamente, se apropriar do bem comum são os que vão mostrando que só andaram à espera de que a vez chegasse.









