Tem sido frequente a confusão entre a formação em Media Training e a de Oratória, apesar de os conceitos serem claramente distintos. A Oratória, conhecida como a arte de falar em público, demanda eloquência, boa dicção, capacidade de persuasão e presença em palco. O objectivo cinge-se no desempenho do discurso e na capacidade de envolver a audiência.
O Media Training, por sua vez, consiste na preparação de gestores e porta-vozes para lidar com os meios de comunicação social, tendo como foco não apenas falar bem, mas também controlar a narrativa. Controlar a narrativa, no contexto do Media Training, pressupõe responder a perguntas de jorna listas, transmitir confiança, comunicar mensagens claras e evitar declarações ambíguas, a fim de proteger a imagem pessoal e institucional.
A Oratória tem origem na Grécia Antiga, por volta do século V a.C., surgindo como uma necessidade prática para que os cidadãos defendessem ideias, participassem em assembleias e argumentassem em tribunais. Entre os pensadores mais proeminentes, consta o filóso fo Aristóteles, sendo o responsável pela sistematização da arte da persuasão, criando o modelo clássico da retórica (Ethos, Pathos e Logos).
Ao passo que o Media Training é mais recente que a Oratória. Ganhou relevância no século XX com o crescimento dos meios de comunicação de massa, nomeadamente o rádio, a televisão e a imprensa escrita. Depois da cri se de William Vanderbilt, políticos, empresários e figuras norte-americanas, perceberam que já não bastava falar bem, era necessário saber controlar a narrativa e gerir a exposição mediática. Actualmente, esta realidade intensificou-se com a massificação das redes sociais.
O desenvolvimento do Me dia Training esteve sempre liga do à comunicação política e corporativa. Porque ajuda a reduzir riscos de comunicação ao ensinar controlo de mensagem e coerência discursiva. A Oratória pode fazer parte do Media Training, mas não o substitui.
Um gestor pode ser um excelente orador e, ainda assim, não estar prepara do para entrevistas difíceis, pouco menos apto para gerir situações de crise. O exemplo clássico é de William Vanderbilt.
O empresário dominava bem a Oratória, mas, sem a preparação exigi da, ficou “carimbado” na história com a expressão: “O público que se dane” e tornou-se o símbolo de uma comunicação pouco cuidadosa com a opinião pública.
Outro exemplo relevante é o de bate televisivo entre John Kennedy e Richard Nixon, em 1960. Ambos eram bons oradores, mas Kennedy, por estar preparado diante das câmaras e por ter transmitido mais confiança através da coerência da imagem e da forma de comunicar, ajudou substancialmente a influenciar a percepção pública.
Por: OLÍVIO DOS SANTOS
*Consultor de Comunicação Integrada









