“Lueji: O Nascimento de um Império”, de Pepetela, reconstrói o período mítico da formação do Reino da Lunda. A narrativa mistura realidade e ficção, destacando a cultura angolana e a construção da identidade colectiva. A obra valoriza a história e cultura do povo Lunda e mostra que conhecer as raízes é essencial para construir o futuro.
Lueji emerge como símbolo de força, união e identidade. Lançado em 1989, quando Angola estava em plena guerra civil e mu dança de regime político-económico, o romance é uma clara in tenção do autor de se apropriar da lenda de Lueji, tão conhecida no país, para utilizá-la para auxiliar na conquista da paz e apontar outra possibilidade político-económica.
A versão de Pepetela para a lenda de Lueji é uma alegoria sobre a saturação de um reino, e suas possibilidades futuras, tendo o soba Kondi como governante, e Tchinguri seu herdeiro. Tchinguri despreza as tradições de seu povo e critica o governo de seu pai, prometendo que, quando chegar a sua vez, tudo será diferente.
Nu ma discussão, Tchinguri fere o pai gravemente, deixando-o a beira da morte. Percebe a intolerância e a violência do primogênito, Kondi constata que ele não possui as qualidades para governar, por isso o tira da linha de sucessão e, antes de falecer, transmite seu poder a sua filha.
Lueji é a saída sensata entre o mundo em decadência de Kondi e a tirania de Tchinguri. A nova rainha não se prende totalmente à tradição, a qual vê alguns problemas, entre eles o distanciamento entre o soba e o povo.
Ela não impõe abruptamente novos costumes ao povo. Lueji aproxima-se do povo, evita os tradicionais intermediários e comunica suas decisões diretamente.
Ela não trabalha com base no medo e na força, mas pelo convencimento e pela conscientização do povo. Por sua vez, Tchinguri enxerga a Lunda como uma presa a ser conquistada e uma fonte de poder e de prestígio.









