Foi com um estrondo que as informações sobre Abel Chivukuvuku circularam em muitos círculos. Embora fosse apresentada já como uma situação certa por muitos, poucos foram os que tiveram a ousadia de apresentá-los como se não carecessem de confirmação, afastando, inclusive, a hipótese de ter sido um vídeo fabricado. As imagens, para muitos, foram sempre tidas por irreais, enquanto um outro segmento mantivesse uma ideia contrária.
Aliás, a julgar pelos meses que a mesma possui, tendo surgido num cenário em que o próprio político ainda estava de namoro plenamente firmado com a UNITA, com a qual criaram a não legalizada Frente Patriota Unida, ainda assim o assunto foi tratado com pinças. Apesar do tempo, poucos foram os que se atreveram a remexer o caso.
Nem tão pouco dando como quase provadas as suspeitas, como agora o líder do PRA- JA Servir Angola acredita que o secretário provincial da UNITA, o deputado Adriano Sapinhala, indica, inclusive, que, em outras latitudes, certamente, Abel Chivukuvuku seria processado. Desde que deixou a FPU, verdade seja dita, são vários os pronunciamentos feitos por dirigentes da UNITA em relação a Abel Chivukuvuku e ao seu PRA-JA.
Em certos momentos, fica-se até com a impressão de que os seus responsáveis terão esquecido do anterior adversário de estimação, no caso o MPLA, e encontrado um outro para enfrentar, provavelmente no âmbito de uma luta pela liderança da oposição no próximo pleito.
Não se precisa de muito esforço para se apurar isso. Uma visita básica às páginas nas redes sociais de muitos destes responsáveis, sobretudo jovens, permitirá observar as pelejas que se vão intensificando, cada vez mais. O processo, que se diz que dará entrada hoje num dos tribunais, onde se procura responsabilizar o líder da UNITA em Luanda, é só mais um capítulo de uma novela com prometedoras cenas dos próximos capítulos. O recurso aos tribunais é a forma mais viável que os cidadãos numa sociedade podem encontrar para resolver os diferendos.
E, no presente caso, segundo se diz, Abel Chivukuvuku quererá lavar a sua imagem e honra, que, na verdade, ficaram duramente comprometidas com as imagens que, durante vários meses, circularam. Ainda assim, nada coarcta a este o direito de junto das autoridades judiciais pretender provar o contrário.
De igual modo, embora as imagens fossem públicas, estaremos igualmente diante de uma oportunidade para os angolanos saberem sobre o que de facto se terá passado para se chegar à caixa térmica? Tanto Abel como Sapinhala têm a oportunidade, cada um deles, de apresentar os seus argumentos e saírem incólumes deste caso.
Tanto na figura de acusação como de defesa. Mas, independentemente disso, não se poderá dissociar o facto de que o ‘leitmotiv’ ainda está ligado ao divórcio ocorrido há alguns meses entre as famílias políticas a que os dois pertencem.









