OPaís
Ouça Rádio+
Qui, 30 Abr 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Quando o “gueto” vence, vencemos todos nós

Jornal OPaís por Jornal OPaís
31 de Outubro, 2025
Em Opinião

Tenho ouvido muitas vezes a expressão “o gueto venceu”. Apesar de, por vezes, parecer contraditória ou de sentido não consensual, compreendo a profundidade que carrega, sobretudo quando é pronunciada por jovens provenientes dos bairros e guetos mais recônditos do nosso país. Lugares onde, muitas vezes, a esperança parecia ter quebrado, onde a fé se tornara moribunda e onde tudo parecia escuro e inalcançável.

Poderão também interessar-lhe...

Correspondência e documentação diplomática

Laços que vão além das altas lideranças

A urgência de reencontrar a unidade entre os angolanos

Quando esses jovens, antes desesperançados, conseguem alcançar um objetivo, realizar uma meta ou obter algum sucesso, dão legitimidade à sua alegria e ao seu festejo.

Confesso que, sempre que ouço algum jovem pronunciar tal expressão como símbolo de conquista, sinto-me orgulhoso e feliz. Não importa a conotação que a expressão possa carregar, se ela visa enaltecer o sucesso de um jovem, então é válida e deve ser aceite. Quando o “gueto” vence, vencemos todos nós, de Cabinda ao Cunene.

O sucesso do gueto é a prova inequívoca de que o talento não tem morada: ele nasce e desenvolvese nos lugares mais impensáveis e inesperados. Não é fácil, para quem nasce no gueto, alcançar o sucesso. Para muitos jovens das zonas periféricas das nossas cidades, tudo é mais difícil, e, por vezes, mais cruel. Mas é no gueto que o talento mais desponta, floresce, se expande e multiplica.

É ali que a superação se torna missão e a criação de alternativas para sobreviver é uma necessidade real. Nos bairros de lata, sem asfalto, sem água e sem luz, onde a poeira dança o kuduro e o semba, nascese com a sabedoria da arte de dançar, cantar, jogar e criar. Talentos natos.

Mesmo quando os acessos são limitados, os meios rudimentares e a informação chega tarde (ou quase sempre atrasada), o talento encontra forma de brilhar. O gueto tem uma sabedoria própria: a arte e o talento já vêm lapidados no ventre materno. É a arte de bem cantar, de bem dançar, de praticar desporto e, sobretudo, de amar o próximo e transmitir alegria.

No gueto, mesmo com as “malambas” da vida, a alegria de viver reina. A partilha e a solidariedade fazem morada. O engenho criativo é notável: a música sai das colunas improvisadas de uma esquina; a bola de trapo, o carro de lata, a trotineta de madeira ou o carro de pneu demonstram que muitos jovens não desistiram de sonhar. Ali, onde falta quase tudo e o sol aquece mais, sobra talento e arte.

Talento tão sublime que se manifesta em concursos como o “Unitel Estrelas ao Palco” ou o “Festival da Canção da LAC”, e no desporto, basta lembrar os nossos campeões de basquetebol no AfroBasket 2025, em Luanda. A nível académico, diversos jovens provenientes dos bairros mais recônditos das nossas cidades destacam-se nas universidades de Angola pela sua capacidade de aprender e captar conhecimento.

Normalmente, o “barra” da sala é do gueto. São jovens que contrariam o destino que o gueto lhes parecia impor e que, de forma quase sublime, emergem das cinzas do que seria fracasso para alcançar o sucesso. Jovens que não baixam a guarda e fazem acontecer.

Os nossos jovens dos guetos, apesar das dificuldades intrínsecas ao meio, são criativos, inovadores e sonhadores. Fazem arte com engenho e sensibilidade, arte que toca o coração, que faz dançar e vibrar, que provoca lágrimas de emoção e sorrisos de alegria.

Jovens das profundezas e de tantas outras paragens da nossa realidade social provam-nos, todos os dias, que no gueto também se sonha, apesar das carências, das lutas e das batalhas diárias. No gueto há talento.

São jovens que fazem música em estúdios improvisados, mas que conseguem colocar o país inteiro a dançar; que treinam em campos pelados, mas chegam aos grandes clubes nacionais; que aprendem os fundamentos do basquete em asfaltos esburacados, mas vencem campeonatos africanos; que estudam à luz de velas e conquistam diplomas nas universidades públicas com glória. São jovens que transformam o impossível em vitória. Temos um talento imenso, que precisa de ser lapidado e apoiado.

É necessário criar oportunidades para que esses jovens brilhem e impactem a sociedade com a sua arte e engenho, contribuindo assim para o crescimento do nosso país.

O Estado deve apoiar os jovens das periferias, promovendo a criação de centros de formação profissional e artística; escolas de música e programas de fomento à arte; espaços de intercâmbio entre jovens e artistas consagrados; e bolsas de estudo que permitam aos nossos cérebros aprender com os melhores do mundo. O gueto acontece todos os dias. Mas o gueto vence sempre que um dos nossos vence. Quando o “gueto” vence, vencemos todos nós.

Por: OSVALDO FUAKATINUA

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

Correspondência e documentação diplomática

por Jornal OPaís
29 de Abril, 2026

Os Estados (países), diferentes das empresas, têm formas especiais e singulares de se comunica rem. O documento que vincula é...

Ler maisDetails

Laços que vão além das altas lideranças

por Jornal OPaís
29 de Abril, 2026

Na análise das relações internacionais contemporâneas, um dos fenómenos mais relevantes reside na forma como as decisões estratégicas tomadas ao...

Ler maisDetails

A urgência de reencontrar a unidade entre os angolanos

por Jornal OPaís
29 de Abril, 2026

Nos últimos tempos, torna-se cada vez mais evidente uma preocupante fragmentação na sociedade angolana. A divisão instala-se de forma silenciosa,...

Ler maisDetails

Lingala, língua para não caracterização dos Bakongo de Angola

por Jornal OPaís
29 de Abril, 2026

As sociedades são possuidoras de culturas, hábitos, costumes e de línguas que as caracterizam e diferenciam-nas de outros grupos sociais....

Ler maisDetails

Viagem Apostólica do Papa Lão XIV a Angola

Imagem meramente ilustrativa

Tentativa de abuso sexual termina em morte do agressor no Cuanza-Sul

29 de Abril, 2026

Sistema de Abastecimento de Água do Chitado vai beneficiar cerca de 50 mil habitantes no Cunene

29 de Abril, 2026

Dalva Ringote destaca aposta na inteligência artificial e na transformação digital

29 de Abril, 2026

Vice-presidente do MPLA inicia hoje jornada de trabalho à província do Huambo

29 de Abril, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.