Ver os filhos afastados da escola deve ser uma das maiores dores de qualquer pai. Infelizmente, este ainda é um drama que se vive no país, onde, segundo dados do próprio Ministério da Educação, mais de 4,5 milhões de pequenos e jovens encontram-se nesta situação. Quando são divulgados estes números, por mais que não se queira, a primeira responsabilidade que se imputa é ao Estado.
É comum, sobretudo nestas fases em que o ano lectivo se aproxima do final, analisar-se não só o défice existente, como também as possíveis soluções para o problema. Inicialmente, há quem vaticine que a solução passe, necessariamente, pela construção de mais salas de aula. Consequentemente, o aumento do número de professores, técnicos administrativos e outros profissionais que dão corpo a qualquer instituição escolar.
Mas a solução pode não ser tão fácil como se julga, principalmente para um país em dificuldades, como o nosso, em que a sua população cresce acima dos três por cento todos os anos.
Em igual período, assiste-se a um aumento também de crianças em idade escolar, muitas das quais não têm acesso e ingressam na lista daquelas que já se encontram em abandono.
Sempre que visito algumas escolas, muitas das quais devidamente apetrechadas, pergunto-me se não existem soluções mais realistas, por exemplo, que nos permitiriam construir mais escolas se se tiver em conta o preço que se paga por uma delas? Há alguns anos, um amigo arquitecto, com quem discutia sobre alguns projectos que eram erguidos em determinadas localidades, defendia a necessidade de se poder construir algumas infraestruturas com recursos a materiais locais, mas cujos acabamentos poderiam conferir uma certa dignidade às crianças, professores, técnicos administrativos e todos aqueles que frequentassem a instituição.
Estamos lembrados de que, por exemplo, a nível de Luanda, surgiram determinados estabelecimentos, a preços acessíveis, no âmbito da cooperação cubana, que viram nascer muitos cidadãos que hoje ocupam posições de destaque na política, economia, desporto e noutros sectores. Sem descurar as condições que se exigem hoje, a diminuição do número de crianças passa por soluções práticas – e muitas delas menos onerosas, incluindo neste pacote as igrejas e outras instituições que possam acompanhar o Executivo neste combate difícil, mas possível.
Aí, onde não é possível colocar-se uma infra estrutura de ponta, ao menos que se criem condições aceitáveis para que crianças e jovens possam, no mínimo, sonhar que dias melhores virão.
É imperioso que se busquem soluções práticas para que o número de petizes fora do sistema aumente vertiginosamente, uma vez que o crescimento populacional que assistimos aponta para esta direcção, se tivermos em conta o facto de o mesmo não acompanhar o crescimento económico.








