Nossa Seguros BFA SB FIB BANCO BAI
Dom, 11 Out 2026
OPAÍS
Em directoOuvir a Rádio Mais em directo
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS

Padecemos de uma síndrome de Estocolmo

Jornal Opaispor Jornal Opais
29 de Setembro, 2023
Em Opinião
Padecemos de uma síndrome de Estocolmo

Runoko Rashidi, saudoso historiador, escritor e Pan-Africanista de nacionalidade norte-americana, brilhantemente alertou o seguinte: “o que fazemos por nós depende do que pensamos sobre nós.

O que pensamos sobre nós depende do que sabemos sobre nós. O que sabemos sobre nós depende do que nos foi ensinado à respeito de nós mesmos.”.

Sabermos quem somos é imprescindível, pois é isto que nos confere uma identidade, e as questões fundamentais que se colocam são: quem nos tem dito quem somos?

Qual é a nossa fonte de extração de informações a respeito de nós mesmos? Será esta fonte fidedigna e confiável? Disse antes e volto a repetir porquanto se trata de um sentimento de que continuo imbuído: somos como que estrangeiros de nós mesmos.

Muito do que é nosso e parte de nós ainda nos é estranho. Muita coisa há a respeito das nossas culturas que nos soa a bizarrice. Filtrarmos as fontes de informações a respeito de nós mesmos é crucial porque só assim teremos consciência de quem fiel e verdadeiramente somos. Se soubermos quem somos, saberemos de onde viemos e, somente assim saberemos para onde vamos enquanto africanos, enquanto povos Bantu.

A meu ver, o fenómeno de tráfico de escravos foi tão grave e tão atroz quanto o processo de colonização, isto porque, em ambos os casos, traficados e colonizados eram forçados a se despojarem de si mesmos, das suas identidades.

Os traficados eram muitas vezes separados daqueles que falavam a mesma língua, logo, dificilmente a conseguiam conservar uma vez que não tinham alguém da mesma tribo para comunicar, razão pela qual afro-americanos e afro-brasileiros não sabem falar nenhuma língua nativa africana, por exemplo.

Já os colonizados, salvo alguns casos, eram proibidos de falar as suas línguas nativas, não fosse o caso de estarem a conspirar alguma rebelião contra o colono sem que este se apercebesse, por um lado, e passavam por um processo de assimilação, por outro.

Ora, foi através do processo corrosivo de assimilação, traduzido como processo de apropriação de ideias ou sentimentos alheios, que o africano começou a se afastar gradativamente de si mesmo.

Em outras palavras, deixamos de ser quem somos para sermos como os outros, para sermos os outros. A bem da verdade, continuamos, em grande escala, assimilados.

Talvez mais do que antes, inclusive. Falamos melhor o português do que o kimbundu, mas somos “Africanos”. Atribuímos aos nossos filhos nomes estrangeiros, mas somos “africanos”.

Olhamos para a medicina tradicional com olhares de desconfiança, mas somos “africanos”. As nossas crianças não têm acesso às salas de aula contanto que cortem o cabelo, mas somos “africanos”.

Usamos a um nível aviltante cremes para clarear a pele, mas somos “orgulhosamente africanos”. Será que ser Africano tão somente significa nascer em África? Questiono-me de que nos serve afirmarmos sê-lo se as nossas actitudes demonstram que não o somos? Segundo uma das vozes mais consonantes da nossa contemporaneidade, o Psicólogo Clínico canadense Dr. Jordan Peterson, autor do best-seller “12 Regras para a Vida: Um Antídoto para o Caos”, o que dizemos e o que fazemos precisam ser isomórficos.

Se formos pessoas integradas então o que dizemos não é ambíguo nem contrário ao que fazemos. É esta uma das principais razões que afasta, por exemplo, pessoas do Cristiniamo, pois as actitudes de muitos Cristãos vão contra o que dizem acreditar e as suas acções falam tão alto que não se consegue ouvir o que dizem. Os nossos corpos estão em África, mas o nosso foco, atenção e os nossos corações estão voltados para o Ocidente.

O canal “África News” na maior TV a cabo nacional não está disponível no pacote mais baixo, porém, o canal “Euronews” está. É mais fácil termos acesso a informações relacionadas aos outros do que a nós mesmos. Há uma necessidade urgente de sofrermos uma cirurgia de desassimilação, de outra forma continuaremos presos ao lodaçal em que até ao presente momento nos encontramos até percebermos que precisamos ser nós mesmos. O modelo dos outros não funciona connosco porque temos um DNA diferente.

A filosofia africana é diferente. Sermos nós é crucial porque só assim saberemos dizer ao estrangeiro o que é ou não permitido, o que gostamos e o que não gostamos, o que aceitamos e o que não aceitamos, o que vai e o que não vai de acordo com os nossos princípios e valores.

É deveras importante que o resgate da nossa identidade aconteça para que possamos, como nos tempos indos, contribuir com a nossa sabedoria para o desenvolvimento do mundo.

É necessário reverter a actual tendência em somente importar pensamentos e olharmos para nós como igualmente capazes de sermos exportadores de pensamentos e ideias.

Não há nada de errado em importar, contanto que o que se importa se ajuste ao que é nosso e venha para nos aprimorar e não para nos desvirtuar ou destoar.

Precisamos refletir a respeito deste olhar apaixonado que temos por tudo que representa o colono, este sentimento mal contido de que os outros são melhores do que nós e que nos leva a receber quase que sem questionar o que deles vem.

Temos de nos questionar o porquê nos sentimos tão atraídos por aqueles que até bem pouco tempo nos raptaram e subjulgaram. Parece patológico. Considero seriamente estarmos em presença de um caso crítico de Síndrome de Estocolmo.

Mas uma coisa é certa, os nossos líderes são, em muitos casos, incentivadores da cada vez maior descrença que temos em nós mesmos.

É ingênuo pensar que a culpa é somente dos outros. Só nós temos o poder de gerar a mudança de paradigma que tão veementemente desejamos. Refiro-me, portanto, a este estado de neo-colonização em que nos encontramos.

 

Por: EDUARDO PAPELO

Publicidade

Maís Populares

  • Unitel Estrelas ao Palco inicia este sábado a fase das eliminatórias

    Unitel Estrelas ao Palco inicia este sábado a fase das eliminatórias

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Huambo acolhe acto central das comemorações do 35° aniversário das FAA

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Empreendedora angolana cria plataforma para venda de produtos africanos em Portugal

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Angola e Botswana reforçam cooperação militar nos 35 anos das FAA

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Onze suspeitos detidos por vandalismo de postes de média tensão em Luanda

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
Siga OPAÍS no WhatsApp

Relacionados - Publicações

Diplomacia angolana: mérito do trabalho e vaidade dos títulos

Diplomacia angolana: mérito do trabalho e vaidade dos títulos

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

A minha reflexão sobre a essência da diplomacia angola na...

A Competência não basta

O trabalho que não fazemos

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

Angola quer ser uma potência económica, mas ainda não aprendeu...

A linguagem universal do futebol

O desporto não pode perder a humanidade

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

O futebol, em particular, e o desporto, de uma forma...

As bocas do Tibocas – Vidas de Ninguém (XXXVI)

As bocas do Tibocas – Vidas de Ninguém (XXXVI)

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

Bem que a tia Canica, aquela mais velha que se...

O que fica quando o último apito soa?

O que fica quando o último apito soa?

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

N DANIEL MIGUEL os quintais de Luanda, do Huambo ou...

Carregar Mais

Relacionados - Publicações

Diplomacia angolana: mérito do trabalho e vaidade dos títulos
Opinião

Diplomacia angolana: mérito do trabalho e vaidade dos títulos

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

A minha reflexão sobre a essência da diplomacia angola na impõe duas perguntas jus tas e necessárias: a nossa política...

Ler maisDetails
A Competência não basta
Opinião

O trabalho que não fazemos

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

Angola quer ser uma potência económica, mas ainda não aprendeu a valorizar uma das suas maiores ri quezas existentes no...

Ler maisDetails
A linguagem universal do futebol
Opinião

O desporto não pode perder a humanidade

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

O futebol, em particular, e o desporto, de uma forma geral, têm destas coisas: num instante, um jogador é herói;...

Ler maisDetails
As bocas do Tibocas – Vidas de Ninguém (XXXVI)
Opinião

As bocas do Tibocas – Vidas de Ninguém (XXXVI)

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

Bem que a tia Canica, aquela mais velha que se sen tava na ponta da rua, já sem mui tos...

Ler maisDetails
O que fica quando o último apito soa?
Opinião

O que fica quando o último apito soa?

por Jornal OPaís
9 de Outubro, 2026

N DANIEL MIGUEL os quintais de Luanda, do Huambo ou de Benguela, tu do começa antes da chegada dos convida...

Ler maisDetails
Carregar Mais
Artigo Seguinte

Valorização da língua local de Angola na obra Isunji de Nelson Soquessa: material didáctico certo para professores de Língua Portuguesa

Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.