Há vários dias que Angola enfrenta constrangimentos no abasteci mento de combustíveis, particularmente gasolina e gasóleo, produtos essenciais para a mobilidade, a actividade económica, a agricultura, a indústria e a produção de energia. As longas filas observadas em diversos postos de abastecimento levaram a Sonangol Distribuição e Comercialização a justificar a situação com um au mento atípico da procura e dificuldades temporárias na ca deia logística de abastecimento.
Embora estes factores possam explicar parte dos acontecimentos recentes, os dados disponíveis sugerem que a origem do problema é mais profunda e estrutural. Num contexto internacional mar cado por tensões geopolíticas, especialmente no Médio Oriente, os mercados energéticos têm regista do elevada volatilidade.
O agravamento do conflito envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos aumentou os receios sobre a segurança do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.
Como consequência, os preços internacionais do petróleo e dos combustíveis refinados sofreram forte pressão, aumentando os cus tos de aquisição para os países de pendentes das importações. É precisamente aqui que surge uma das principais vulnerabilidades de Angola.
Apesar de ser um importante produtor de petróleo bruto, o país continua fortemente dependente da importação de combustíveis refinados para satisfazer a procura interna. Dados do Relatório e Contas da Sonangol referentes a 2025 revelam que cerca de 73% dos produtos refinados disponibilizados no mercado nacional tiveram origem em importações.
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Por: JANISIO SALOMÃO







