A transformação digital tornou-se uma das expressões mais utilizadas no debate público contemporâneo. Governos, empresas, universidades e organizações internacionais recorrem frequente mente ao conceito para descrever as mudanças provocadas pelas novas tecnologias na economia e na sociedade.
Contudo, quanto mais a expressão é utilizada, maior parece ser o risco de a reduzirmos a uma simples questão tecnológica. Durante muito tempo, a soberania dos Estados foi definida pela capacidade de controlar o território, proteger as fronteiras, administrar recursos naturais e garantir a segurança nacional. Hoje, essa definição continua válida, mas tornou-se insuficiente.
Uma parte crescente da actividade económica, institucional e social acontece num espaço que não possui fronteiras físicas: o ciberespaço. Os dados circulam por redes globais.
Os serviços públicos tornam se digitais. As transacções financeiras dependem cada vez mais da conectividade. As empresas organizam as suas operações através de plataformas tecnológicas.
A informação passou a desempenhar um papel semelhante ao que outrora desempenharam recursos estratégicos como o petróleo, os minerais ou as infra-estruturas de transporte.
Não é por acaso, países de diferentes orientações políticas começaram a tratar a tecnologia como uma questão de soberania. A União Europeia fala hoje em soberania tecnológica.
Os Estados Unidos reforçam investimentos em infra-estruturas digitais críticas. A China procura reduzir de pendências externas em sectores considerados estratégicos. A Índia investe em plataformas nacionais capazes de suportar serviços públicos em larga escala.
É precisamente neste contexto que importa observar o caminho que Angola tem vindo a percorrer. Durante anos, o debate sobre desenvolvimento esteve centrado ape nas em infra-estruturas físicas.
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Por: AMADEU CASSINDA







