Aproxima-se a próxima época futebolística. Todos os dias, à excepção do 1.º de Agosto, os outros concorrentes directos preparam-se afincadamente para a competição interna e também para as outras sob a égide da Confederação Africana de Futebol (CAF), entre as quais a ambicionada Liga dos Campeões, em que estarão apenas o Petro de Luanda e o Williete.
Gostaria imenso de cingir-me somente ao futebol nesta época de transferências. Mas não. Há muito que um outro mercado, o político, se vai mostrando igualmente movimentado, adivinhando-se nos dias que se seguem algumas novidades. Nos últimos três meses, entre promessas da apresentação de uma nova coligação e a possível manutenção da anterior Frente Patriótica Unida, o certo é que quase nada ainda se sabe.
De vários nomes de formações políticas que foram sendo anunciadas, incluindo de um partido que deveria necessariamente correr a solo por força do que dita a lei, também não há qualquer certeza ainda se desta vez, como se apregoa, exista um único ente do lado da oposição para corporizar uma ambiciosa intenção há longos anos pretendida.
Em todo o caso, o que se sabe é que se vão costurando, nos bastidores, outras coligações. Assim como outros partidos que pretendem entrar na corrida, com rostos novos e outros com as mesmas caras, embora sob emblemas novos reconhecidos pelo Tribunal Constitucional. Porém, o mercado de transferências políticas pode vir a ganhar a intervenção de um ente novo, os chamados movimentos sociais, que vão tendo como integrantes supostos integrantes da sociedade civil, que, anteriormente, lideraram acções anti-governamentais.
Alguns apresentados com pompa e circunstância, por se conhecerem os propósitos destes novos entes que agora vão surgindo. E muitos deles são até liderados por figuras cujos percursos associativos, políticos e até sociais são desconhecidos, o que não lhes impede de traçar nesta era das redes sociais e do mundo virtual uma agenda. Sempre que se aproximam as eleições, é comum observar se movimentações do género.
À semelhança do futebol, não é preciso muito esforço para nos apercebermos da existência de um mercado composto por inúmeras entidades, algumas conhecidas e outras não, aguardando por um aceno para que venham a integrar as listas para futuros deputados ou beneficiarem do bolo que, nestas alturas, é colocadas à disposição. Alguns partidos já deram os primeiros sinais.
E, à medida que nos formos aproximando de 2027, outros também farão o mesmo. O pior é que parece que se impera a lei do vale tudo, onde o objectivo é conseguir votos num determinado segmento da sociedade, mesmo que o jogador contratado não tenha qualquer valor político ou uma imagem que se coadune aos princípios que devem imperar na política.
Em termos individuais ou colectivos, não nos espantemos se virmos pronunciamentos ou acções de muitos que se pensava agirem sem quaisquer motivações políticas, envergando esta ou aquela camisola de uma determinada equipa. Afinal, em épocas de transferências ou abertura de mercado, poucos são os que querem perder a sua oportunidade.








