Há dois anos, quando Icolo e Bengo ganhou o estatuto de província, no âmbito da Nova Divisão Político-Administrativa, foram inúmeras as vantagens apontadas em relação ao seu desenvolvimento, se tivermos em conta, principalmente, o número de habitantes que hoje a própria circunscrição alberga.
Embora compreendesse alguns municípios novos, a verdade é que ao seu controlo passaram algumas das áreas mais populosas da província de Luanda, onde a produção de resíduos é acentuada, mas nem por isso se viveu uma fase crítica como a que agora se assiste.
Os Zangos, no seu todo, assim como o Sequele, não se encontravam apinhados de lixo, muito por conta das operadoras que então exerciam serviços nestas áreas. Mudaram-se os tempos. Ao que tudo indica, também se mudaram as vontades.
Há hoje um cenário triste em quase toda a extensão de alguns municípios do Icolo e Bengo, como Sequele e Calumbo. Apenas as ruas principais encontram-se afastadas desta praga, que poderá se transformar num problema ainda pior de saúde pública assim que começarem as primeiras chuvas de Agosto.
Há dias, num encontro que teve com a empresa operadora de limpeza, o governador Auzílio Jacob disse, peremptoriamente, que o lixo não poderia lhe tirar o sono, porque o governo que dirige paga mensalmente mais de 600 milhões de kwanzas para o referido serviço. Caso a empresa, cujo nome no mercado é visivelmente novo, não melhore as condições sanitárias até Dezembro, o Governo de Icolo e Bengo promete rescindir o contrato, reservando-se as autoridades governamentais a efectuarem um aviso tempos antes.
A esta altura, acredito, o ideal é os habitantes das zonas afectadas da província manterem-se confiantes de que a situação possa melhorar. Porém, o realismo, face à quantidade enorme de lixo, alguns dos amontoados até encerrando ruas, faz com que muitos se questionem se terá a referida empresa condições para, no mínimo, atenuar a situação.
Nas próximas duas semanas, termina, oficialmente, a época de cacimbo, podendo as primeiras chuvas ocorrerem mais cedo, o que vai culminar num maior diagnóstico de doenças causadas pelo próprio lixo que aqueles que amealham várias dezenas de milhões não conseguem combater.
O espantoso em todo este imbróglio é que a empresa em causa terá, no mínimo, vencido algum concurso para que fosse habilitada a realizar a limpeza nas zonas já mencionadas.
E era suposto que tivesse apresentado condições para que saísse vencedora em relação às demais participantes. Mas hoje, depois de já ter amealhado vários pagamentos, ainda se fala na insuficiência de meios, que poderão ser complementados com cooperativas locais. Em suma, dificilmente se poderá conseguir evitar a tragédia sanitária que se avizinha tão logo São Pedro abra as comportas.







