Há três anos me foi oferecido o livro ‘O Controlo Contemporâneo e Futuro da Informação – Dados, Grandes Volumes e Tecnologia’, uma obra do jornalista e escritor português José Vegar, que se debruça, em pouco mais de 100 páginas, sobre os perigos que podem advir da inexistência de segurança cibernética em casos como o que estamos a viver nos últimos três dias.
Encarados na fase inicial como simples fontes de contactos normais, como e-mails, ou até de conversas e conferências, como ocorrem hoje nas redes sociais, o mundo digital tornou-se uma importante ferramenta e arma nos dias que correm. Aqueles que conseguem exercer o controlo, a todos os níveis, das suas informações, possuindo uma verdadeira soberania digital, posicionam-se, desde já, na linha da frente em relação à preservação não só das suas informações, como sobretudo daqueles principais sectores da sua vida social, política e económica.
São indiscutíveis os investimentos que Angola foi realizando nos últimos anos no sector da tecnologia de informação. Tanto a nível infra-estrutural como também em termos de formação dos próprios quadros, muitos dos quais se vão destacando em vários domínios.
Não obstante este facto, como frisamos há dias, o país tornou-se, igualmente, nos últimos três anos, um dos que mais ataques vinham sofrendo por parte de hackers ou sectores hostis ao país, consubstanciando-se agora com o ‘apagão’ total que se verificou na madrugada da última Segunda feira com enormes prejuízos. A primeira impressão, depois até dos pronunciamentos do PCA da Unitel, Aguinaldo Jaime, e do comunicado feito pela empresa, era de que se tratasse de um ataque cibernético que pudesse ser resolvido depois de poucas horas.
Houve, de facto, o restabelecimento dos serviços, gradualmente, podendo muitos usuários, mas ainda muito aquém do que se esperava. E só este facto levanta nos angolanos em geral muitas especulações sobre o que terá efectivamente acontecido e qual é a verdadeira dimensão do prejuízo. Como era previsível, devido aos prejuízos na economia, política, sociedade e noutras esferas, os políticos também buscam protagonismo nestas fases, devido à importância que a comunicação hoje joga.
É por isso que, depois da primeira comunicação, a segunda – que já se fala na impossível coincidência entre a venda da empresa na bolsa e o ataque sem precedentes observado, há, ainda, necessidade de, nos próximos dias, a UNITEL trazer à ribalta a dimensão do que se passa e os possíveis prejuízos daqueles que estiveram por detrás desta investida.
Caso contrário, continuar-se-á a obter de fontes anónimas informações sobre as exigências monstruosas para um possível resgate ou até mesmo outras apócrifas que, nesta altura, muitas mentes prenhes vão fabricando.
FILDA 2026






