Na semana passada, circulou nas redes sociais um vídeo que me chamou bastante a atenção. Trata-se de uma intervenção de Norberto Garcia, director-geral do Centro de For mação de Jornalistas (CEFO JOR), sobre o perfil que, no seu entender, deve caracterizar os camaradas do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Na sua intervenção, aborda a ideologia do MPLA, apresentando-o como um partido de esquerda que defende a social democracia, que tem reforça do sua premissa com mensagens como “um só povo, uma só nação”, tendo como princípio de que “o mais importante é resolver o problema do povo”, assentes no “compromisso com o povo” e na “confiança no futuro”.
Ao definir o perfil do camara da do MPLA, afirma que este não pode ser arrogante e desafia todos a serem mais simpáticos, tendo em vista o pleito de 2027.
No vídeo, também é possível ouvir seu posicionamento sobre a transparência comunicacional. Contudo, a sua narrativa merece bastante reflexão e, sobretudo, coragem e determinação para ser concretiza da. Porque a narrativa, por si só, não sustenta nenhuma reputação. Como afirma o dramaturgo grego Menandro (342–292 a.C.), “o que persuade é o carácter de quem fala e não a sua narrativa em si”.
O carácter não se vê, mas as suas acções, sim. São elas que revelam o carácter de uma pessoa, singular ou colectiva, e garantem a construção da sua reputação. Daí que é de suma importância a relação existente entre aquilo que se é, aquilo que se faz e a imagem que se constrói perante os outros.
Quando existe coerência entre o que se defende e o que se pratica, a linguagem ganha força e o discurso encontra condições para persuadir. Quando existe uma distância abrupta entre o carácter de quem fala e aquilo que diz, por mais capacidade de oratória que se tenha, não se consegue, por si só, garantir a confiança. Porque a reputação política não se constrói apenas com aquilo que se diz.
Constrói-se com aquilo que se faz e com a forma como as pessoas interpretam essas acções. A linguagem pode apresentar uma narrativa bem construída, mas são as atitudes, os comportamentos que confirmam ou contradizem a tese.
Por: OLÍVIO DOS SANTOS





