Vinte e um profissionais de saúde angolanos seguem para o Brasil e Portugal para frequentar formações em áreas consideradas prioritárias para o reforço da capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde, no âmbito do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde em Angola.
Os novos bolseiros foram apresentados e receberam orientações durante uma cerimónia de acolhimento e despedida realizada sexta-feira, 21 de Agosto, em Luanda. A maioria tem a partida prevista para hoje, sábado, 22 de Agosto, para programas com duração que varia entre três meses e três anos.
Com a integração deste grupo, o projecto, implementado pelo Ministério da Saúde, através do Instituto de Especialização em Saúde (IES) e da Unidade de Implementação do Projecto (UIP-PFRHS), já alcançou 19.482 profissionais, correspondentes a 51,3 por cento da meta global de 38 mil beneficiários directos prevista até 2028.
A iniciativa contempla diferentes modalidades de formação, entre cursos de curta e longa duração, especializações, residências, fellowships, mestrados e doutoramentos, com parte significativa das acções a decorrer em Angola.
Durante o acto, o coordenador e gestor técnico da UIP-PFRHS, professor doutor Job Monteiro, considerou a formação dos profissionais um investimento estratégico que deve produzir efeitos para além do benefício individual dos bolseiros.
“Temos uma esperança grande nos colegas porque, ao voltarem, não serão as mesmas pessoas”, afirmou, defendendo que os profissionais devem regressar preparados não apenas para melhorar a qualidade dos serviços onde trabalham, mas também para transmitir os conhecimentos adquiridos a outros quadros.
Job Monteiro sublinhou que, apesar de alguns profissionais serem formados no exterior, a maioria das acções do projecto é realizada em Angola, através de modalidades presenciais e mistas.
O responsável apelou aos bolseiros enviados para instituições estrangeiras a aplicarem, no regresso, os conhecimentos adquiridos, tendo em conta a expectativa de outros profissionais que poderão beneficiar da experiência dos formandos.
Por sua vez, o director-geral do Instituto de Especialização em Saúde, neurocirurgião doutor Djamel Kitumba, destacou a necessidade de transformar a formação individual numa capacidade nacional sustentável.
Segundo o responsável, os profissionais que regressarem deverão obter os respectivos títulos de especialistas e ser enquadrados como docentes nos diferentes cursos de especialidade.
Na área de enfermagem, Djamel Kitumba defendeu o aumento progressivo da capacidade nacional de formação e revelou que a meta é alcançar, no final do projecto, 100 por cento de formadores nacionais, pelo menos nos cursos para os quais já estão a ser preparados quadros.
O director-geral apelou ainda aos bolseiros para encararem a formação com dedicação, disciplina e resiliência, destacando a importância do cumprimento dos horários, da carga horária e das tarefas atribuídas pelos preceptores.
Entre os 21 profissionais seleccionados, alguns terão como destino instituições de ensino e unidades hospitalares do Brasil, nomeadamente em Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto e Santa Maria.
No Brasil, estão previstas formações na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Santa Maria, Faculdade São Leopoldo Mandic e Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
As áreas abrangem Fisioterapia Pélvica, Enfermagem Cirúrgica, Medicina da Família e Comunidade, Fisioterapia, Medicina Dentária, Radioterapia, Medicina Nuclear, Radiologia e Oncologia, entre outras especialidades.
Em Portugal, os profissionais seleccionados frequentarão formações nas áreas de Gestão e Economia de Serviços de Saúde e Psiquiatria, entre outras.
A cerimónia contou igualmente com o testemunho de Celestino Ferreira Pembe, farmacêutico do Hospital Provincial do Bengo e finalista do projecto na área de Farmacologia Clínica, que regressou ao país depois de concluir a formação no exterior.
Ao partilhar a sua experiência, o antigo bolseiro aconselhou os novos beneficiários a encararem a formação com dedicação, disciplina e responsabilidade. Reconheceu que a adaptação à carga horária pode ser difícil nos primeiros dias, mas considerou que a vontade e a dedicação permitem superar os desafios.
Celestino Ferreira Pembe chamou igualmente a atenção para a responsabilidade dos profissionais angolanos de apresentarem a realidade do país durante a sua permanência no exterior e recomendou uma gestão responsável do subsídio de bolsa.
Durante a actividade, os bolseiros receberam orientações sobre os seus direitos e deveres, normas académicas e administrativas, relação com os preceptores, cumprimento de horários e carga horária, documentação de imigração, bem como aspectos relacionados com acidentes de trabalho, violência baseada no género e salvaguardas sociais e ambientais.
Os profissionais destinados ao Brasil foram ainda orientados sobre a regularização documental, incluindo a obtenção do CPF e outros documentos necessários à permanência legal no país e à realização de procedimentos administrativos.
A actividade incluiu também informações sobre monitoria e avaliação, auditoria, gestão financeira, Código de Conduta e mecanismos de acompanhamento do projecto, tendo culminado com uma sessão de perguntas e respostas, entrega dos passaportes e assinatura dos termos de compromisso.
Para o Ministério da Saúde, o investimento na formação dos recursos humanos pretende contribuir para a melhoria da qualidade da assistência, o reforço das equipas multidisciplinares e o aumento da capacidade nacional de formação.
A expectativa é que os profissionais formados no exterior regressem ao país para aplicar os conhecimentos adquiridos e contribuir para a formação de novos quadros, sobretudo nas áreas de especialidade consideradas prioritárias para o Sistema Nacional de Saúde.
Até 21 de Agosto de 2026, o projecto já tinha alcançado 19.482 profissionais, ultrapassando metade da meta de 38 mil beneficiários directos estabelecida até 2028.





