Há um erro que continua a repetir-se em matéria de comunicação institucional e em relações de toda a natureza: acreditar que o silêncio, com o tempo, apaga o que aconteceu.
Não apaga. Apenas adia a factura, e, hoje, com juros mais altos do que nunca. A Internet impôs-se aos media tradicionais por quatro características que a tornaram, de facto, o grande fenómeno da evolução das tecnologias de informação e comunicação. A interactividade, que trans formou o público de receptor em participante.
A instantaneidade, que eliminou o tempo de espera entre o facto e a notícia. A hiper textualidade, ou interconectividade, que ligou cada conteúdo a mil outros, numa teia sem fim. E a memória, a característica mais silenciosa das quatro, e também a mais implacável.
É esta última que interessa ao te ma de hoje, porque a Internet não esquece. Regista, indexa, arquiva. O sociólogo francês Maurice Hal bwachs demonstrou, ainda na primeira metade do século vinte, que a memória nunca é puramente in dividual, é sempre sustentada por aquilo que chamou memória colectiva, os quadros sociais que um grupo partilha e mantém vivos.
A Internet tornou-se, hoje, o mais eficiente instrumento de memória colectiva jamais criado. Um clique basta para que qualquer facto, por mais antigo, regresse ao presente com a força do dia em que aconteceu.
Por: AMADEU CASSINDA





