OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 24 Abr 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

O que um antropónimo pode representar

Jornal OPaís por Jornal OPaís
14 de Novembro, 2025
Em Opinião

No campo da Linguística, uma das políticas que se deveria estabelecer, com o intuito de descolonizar a mente de muitos africanos alienados, seria a de reformular os pensamentos segundo os quais nomes como “Adlison Meireles”, “Gabriel Magalhães”, “Gerson”, “Uriela” e “Jackson” são mais nobres e adequados para serem atribuídos aos nossos filhos, em detrimento de “Cacinda”, “Cinbalandongo”, “Kakueia”, “Katimba”, “Ngueve” e tantos outros.

Poderão também interessar-lhe...

Ordem urbana, prosperidade económica: o elo esquecido do desenvolvimento

Redes sociais e inteligência artificial em Angola: entre a emancipação digital e o risco social

A geração do adoço: promiscuidade, inovação do kuduro ou arte?

A mente do colonizado angolano está, por vezes, tão corroída que, numa sala de aula — no momento em que se levantam as presenças —, ouvem-se risos de uns em rlação aos outros apenas por causa do nome. Isso ocorre porque os próprios funcionários da Conservatória do Registo Civil, responsáveis por preservar identidades, recusam preencher formulários de nascimento com nomes genuinamente bantos. Preferem, por sinal, “Mariclene” em vez de “Hoci” ou “Katimba”, considerando estes últimos “feios” ou “impróprios”.

Recordo-me, neste contexto, de uma pequena mas profunda obra literária, na qual, num diálogo entre o escravo e o seu senhorio, este perguntou-lhe: — Que nome de cão era o teu? — X — respondeu o escravo. — E que nome te foi atribuído de- pois do baptismo? — X — acrescentou. — Ah, ainda bem que agora tens nome de pessoa. Esse diálogo, breve mas incisivo, ilustra uma ferida ainda aberta: a negação simbólica da nos- sa própria identidade.

É o mesmo fenómeno que hoje se repete quando crianças ou adolescentes se envergonham dos seus nomes, acreditando que o nome do seu actor predilecto seja “melhor” que o seu. Ignoram que um nome carrega histórias, costumes, hábitos e culturas; não compreendem que, além de simples designação, é identidade, consciência, gastronomia e tradição.

Mais grave ainda é ver que aqueles que deveriam preservar esses valores — pais, educadores e líderes — são os primeiros a substituí-los por nomes fictícios de actores da Marvel ou de novelas estrangeiras, acreditando que assim evitarão o bullying. E a sociedade, já corrompida pela mediocridade, rir-se-á do Cilume e do Cinanga, mas aplaudirá o Carlos, o Mendes, o Nelson e tantos outros.

Por isso, precisamos de ser cultores dos nossos próprios hábitos e costumes — cultura e tradição. Devemos expandir essa consciência nos ambientes socioculturais: escolas, igrejas, hospitais e todos os lugares onde se agregam pesso- as, sobretudo africanas. É urgente valorizar-se por ser chamado e tratado pelo próprio nome, sem ultrajar nem subjugar o outro, pois qualquer forma de preconceito nominal deve ser combatida e erradicada de imediato.

POR: GABRIEL TOMÁS CHINANGA

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

Ordem urbana, prosperidade económica: o elo esquecido do desenvolvimento

por Jornal OPaís
23 de Abril, 2026

Há economias que crescem, outras que subsistem e apenas um número restrito que, em rigor, evolui de forma qualitativa. A...

Ler maisDetails

Redes sociais e inteligência artificial em Angola: entre a emancipação digital e o risco social

por Jornal OPaís
23 de Abril, 2026

Angola vive — com desigualdade, mas sem retorno — uma travessia digital que redesenha silenciosamente a sua própria identidade colectiva....

Ler maisDetails

A geração do adoço: promiscuidade, inovação do kuduro ou arte?

por Jornal OPaís
23 de Abril, 2026

Angola é um país rico e diversificado, resultado da aliança de diferentes povos de etnia bantu, como os ovimbundu, ambundu...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Lixo continua a invadir os Zangos

por Jornal OPaís
23 de Abril, 2026
PEDRO NICODEMOS

Caro coordenador do jornal OPAÍS, saudações e votos de óptima Quinta-feira! Sou leitor assíduo do vosso jornal. Acho que há...

Ler maisDetails

Viagem Apostólica do Papa Lão XIV a Angola

Mário Soares deixa comando técnico do Bravos do Maquis do Moxico

23 de Abril, 2026

Secretário de Estado destaca Protecção Social como pilar para redução das desigualdades e promoção da coesão social

23 de Abril, 2026

Cidadã de 41 anos acusada de matar avó e bisneto após participar em vigília numa igreja

23 de Abril, 2026

Provedora de Justiça destaca avanços e desafios na consolidação do Estado de Direito em Angola

23 de Abril, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.