Uma cidadã de 41 anos encontra-se detida desde o último domingo, acusada de ter cometido duplo homicídio contra a sua mãe, de 65 anos, e o seu neto, de seis anos, supostamente por acreditar que estes estariam possuídos por demónios, depois de ter participado numa vigília religiosa na Igreja Pentecostal Antioquia – Igreja de Todas as Nações.
Os factos ocorreram na passada sexta-feira, na zona do Nanguluve, bairro da Mitcha, arredores da cidade do Lubango, quando Isabel Culembe, de 65 anos, encontrava-se doente, mas já com sinais de melhoria. A acusada terá solicitado uma sessão de orações, alegando que a vítima estava possuída por demónios.
De acordo com familiares que falaram à nossa reportagem, no interior da residência, a acusada agrediu a vítima com a intenção de expulsar os demónios, provocando a morte imediata da anciã.
A mesma prática foi registada noutra residência no mesmo bairro, onde se encontrava o menor Marcelo Calembela, de seis anos, que, após ter sido agredido pela avó de 41 anos, também teve morte imediata.
Os corpos das duas vítimas foram enterrados ontem, num dos cemitérios do Lubango. No entanto, os familiares da acusada afirmam que esta começou a mudar de comportamento depois de passar a frequentar a referida igreja.
João Baptista Ambrósio, cunhado da acusada, contou que a sua sogra andava doente, porém já apresentava melhorias, mas a arguida insistiu que a vítima deveria ser levada para uma sessão de orações.
“Na verdade, a avó andou doente, mas quando os meus filhos disseram que estavam a levá-la ao hospital, encontraram a minha cunhada no caminho, que disse para não a levarem ao hospital, mas sim às orações. Já em casa, ela não permitiu a entrada de outras pessoas durante a sessão. Quando nos apercebemos, ela estava fora de si; mandei amarrá-la e levámo-la ao hospital para verificar se tinha algum problema mental, mas ainda não temos o resultado”, disse.
Laurinda Candeia, irmã da acusada, afirmou que, após a participação da irmã na vigília, esta começou a apresentar comportamentos estranhos, que culminaram com as agressões aos familiares. Por isso, apelou às autoridades para encerrarem a igreja, a fim de evitar situações semelhantes.
“A minha irmã nunca teve atitudes que nos levassem a suspeitar de problemas mentais. Foi após aquela igreja que mudou. Era uma mãe acolhedora e ficámos surpreendidos com esta atitude. Por isso, apelo a todos que se afastem dessas seitas, que estão a destruir famílias. Queremos também que o pastor seja detido, porque a minha irmã fez o que fez depois de vir da vigília”, desabafou.
Polícia Nacional confirma detenção
O Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla confirmou a detenção da cidadã de 41 anos, acusada de cometer o crime de homicídio contra o seu neto, de seis anos, e a sua mãe, de 65 anos, no bairro da Mitcha.
A confirmação foi feita pelo porta-voz em exercício do Comando Provincial da Polícia Nacional, inspector-chefe Benedito Walter, que informou que o facto ocorreu no dia 17 do mês em curso, na cidade do Lubango.
“A 7.ª Esquadra Policial recebeu uma denúncia sobre a existência de um corpo no interior de uma residência. Assim que a denúncia foi recebida, as forças deslocaram-se ao local e encontraram o corpo de um menor de seis anos. Em interrogatório, os pais do menor informaram que a avó se deslocou à residência e afirmou ter recebido uma orientação divina para realizar um trabalho espiritual urgente no neto.
Munida de um objecto contundente, desferiu vários golpes em todo o corpo do menor, com ênfase na região da cabeça. No mesmo dia, ao regressar à sua residência, onde vivia com a mãe de 65 anos, repetiu o mesmo procedimento. A acusada foi detida, tendo sido instaurado um processo remetido ao SIC para os trâmites subsequentes”, revelou.
Por: João Katombela, na Huíla









