As imagens de um agente da Polícia de Trânsito, em Luanda, correndo de maneira desenfreada depois de autuado por um efectivo da Inspecção Geral do Estado, correm o mundo. Acreditava-se que estivesse envolvido em algum acto de corrupção, mas se desconhece o término de tal episódio por conta da curiosidade que a mesma despertou.
Mas estávamos numa fase em que o combate à corrupção era uma novidade, com nomes e números surgindo em catadupa e uma sociedade confiante nas suas instituições por conta do mal que este fenómeno, descrito pelo então Presidente José Eduardo dos Santos como o segundo mal depois da guerra, havia provocado ao país. Quem teve a hipótese de ver as cenas televisionadas, por exemplo, esperava por outras envolvendo a Inspecção Geral do Estado, que, embora actuasse em determinados momentos, era tida como um organismo discreto, não se conhecendo muitas vezes a sua esfera de actuação.
Tempos houve em que, através dos órgãos de comunicação, se viu tornado público os resultados de determinados relatórios inspectivos em empresas públicas, ministérios e até mesmo governadores provinciais, por exemplo. Não foi em vão que alguns gestores públicos, que eram apontados como supostas aves de rapina, ganharam alguns cognomes nada abonatórios. Agora, parece que a IGAE vai trabalhando mais naquilo que alguns apelidam em círculos policiais como baixa visibilidade.
Não há, em todo o caso, cenas até desabonatórias como aquelas em que um quadro da instituição parecia correr atrás do agente policial, mas ainda assim a sociedade espera por resultados das suas acções. E não seria mal algum se muitas destas investidas fossem tornadas públicas, até como meio para se desenfrear os apetites ainda incomensuráveis de muitos que não resistem ao chamado enriquecimento fácil.
Para os próximos tempos, prevê-se uma actuação diferente se se tiver em conta o novo regulamento da instituição publicado em Diário da República, que atribui a IGAE mais poderes na missão de dirigir e controlar os recursos e políticas públicas para garantir a eficiência na administração pública.
Apesar de vivermos uma época em que o combate à corrupção, decretado pelo Presidente João Lourenço, deve servir de poder dissuasor naqueles gestores públicos que ainda não caíram nas malhas da justiça, ainda assim existem alguns casos que vão sendo denunciados como estando a delapidar o erário, exigindo, nalguns momentos, uma investigação mais sensível.
Com os novos poderes atribuídos a IGAE, hoje liderado pelo jurista e professor universitário João Pinto, estão criadas as condições para poder ir além daquilo que muitos se queixavam não poder fazer por não estarem autorizados no passado. Agora, o que se espera é que explorem os poderes atribuídos e não se adormeça em fantasmas, que nem sempre existem, a rondar as instituições…









