Amanhã, proveniente da República dos Camarões, o Papa Leão XIV desembarcará em Luanda, já sob o cair da tarde, para uma visita de três dias, onde deverá deslocar-se, igualmente, às províncias de Icolo e Bengo e Lunda- Sul. É visível o frenesi de fiéis católicos e não só por conta da chegada do Santo Padre, que, recentemente, substituiu na liderança da Igreja Católica, assim como do Estado o Vaticano, o malogrado Papa Francisco, que, por sinal, não chegou a visitar o nosso país.
Apesar disso, Angola vai-se evidenciando como uma terra abençoada por registar, ao longo dos seus 50 anos da Independência, a presença de três papas no seu solo, num cortejo que começou no início da década de 1990, pelo carismático e inesquecível Karol Woitilya, o nome de registo de João Paulo II.
O primeiro fê-lo num momento singular. Angola esperava, na altura, com a bênção do Santo Padre, enterrar de vez as feridas da guerra, num processo de paz controverso, mas que acabou, infelizmente, violado na sequência dos resultados das primeiras Eleições Gerais cujas consequências até aos dias de hoje ainda se fazem sentir. Bento XVI, por seu lado, pisou já o país em tempos em que se buscava a reconstrução, reconciliação e desenvolvimento, objectivos estes ainda desejados em muitos domínios.
Não obstante o facto de muito já se ter feito, num país extenso e com uma geografia também desafiadora. Em todo o caso, cada um deles construiu uma relação de proximidade e confiança com o Governo angolano, alicerçada no Acordo Quadro existente entre a Santa Sé e as autoridades angolanas em vários domínios, entre os quais a educação e a saúde. É indiscutível o papel que as igrejas têm em qualquer sociedade.
E, em Angola, apesar da proliferação de igrejas e seitas, o papel de instituições como a Igreja Católica continua a ser primordial, se se tiver em conta o número de fiéis e daqueles que continuam a crer na referida religião milenar. E o Papa, que vai realizar uma missa no Kilamba e outra na Lunda-Sul, chega num momento ímpar em que já se começa a dar corpo àquilo que sempre se esperou do Santuário da Muxima, onde o Santo Padre deverá recitar o terço.
Angola é um dos países da linha da frente da Igreja Católica no continente africano. E, nos próximos tempos, dada a importância e a dimensão da infra- estrutura há muito apresentada no Estado do Vaticano, manter-se-á como um dos palcos no mundo onde as atenções da Santa Sé não serão menosprezadas.
Que venha a mensagem de fé e esperança. Principalmente num momento em que se espera por algum alento espiritual por conta da tragédia em Benguela e outras que, seguramente, merecerão a apreciação de Sua Santidade, porque poderiam, muito bem, ser evitadas pela acção do próprio homem.









