‘O Abominável Mundo Novo – Entender o Caos’ é um livro do português Nuno Rogério, um especialista em relações internacionais e segurança com presença constante nas televisões do seu país de origem, muitas das quais acompanhamos entre nós.
Ganhei o há alguns dias, em razão do meu aniversário, por conta do velho hábito que ainda, felizmente, persiste em procurar compreender muitos fenómenos que ocorrem no mundo. Qualquer um de nós sonhou desde sempre em viver num planeta em que persistisse o bem.
Onde o mal fosse abolido. Os povos pudessem ser iguais, longe dos poderes hegemónicos que permanecem insis tentemente. E pior, nos dias de hoje, como política de Estado, alguns dos quais perderam inclusive a vergonha de demonstrar às claras, com recursos a argumentos ardilosos, que passam maioritariamente por se apropriar das riquezas de outros povos.
Quem acompanhou ontem os discursos na Assem bleia-Geral da Organização das Nações Unidas conseguiu, no mínimo, divisar esse ‘abominável mundo novo’ em que vivemos.
Desde o Presidente angolano, que fez um brilhante discurso, aos outros líderes mundiais, de alguns dos quais era praticamente expectável o que dali viria.
De Lula da Silva já se sabia que, depois dos últimos documentos apresentados pela imprensa local, nos quais se adivinha, claramente, uma suposta ingerência norte-americana na política actual, em defesa da direita ultraconservadora, fosse deixar bem patente a defesa do seu país. Aliás, já fizera num discurso anterior, onde também a actual liderança foi a mais visada.
De Trump, infelizmente, também não se esperava uma outra argumentação. Para muitos, hoje é clara mente um ‘profeta do caos’. São várias as contradições em relação ao desfecho da guerra contra o Irão, as ameaças de atacar alguns países e, pior de tudo, o reconhecimento de que, afinal, a captura de Maduro se deveu única e exclusivamente ao petróleo.
Uma cópia fiel das acções promovidas para as saídas de Kadaffi e Saddam Hussein. Até hoje, nunca se viram as armas de destruição em massa que motivaram os ataques.
Anos depois, estes países recuaram em termos de desenvolvimento e crescimento eco nómico, tornando-se autênticos campos de confrontos entre grupos étnicos e facções islâmicas.
Num mundo de incertezas, onde o modelo produzido desde a criação desta organização mundial não funciona mais para assegurar um verdadeiro multilateralismo, a solução defendida pela maioria dos líderes mundiais passa pela reforma imediata do próprio Conselho de Segurança. É o que vem sendo feito pelo Presidente João Lourenço, por exemplo.
Mas acabou por ser mais contundente na alocução desta Terça-feira, 22, tendo sido amplamente ovacionado pela plateia composta por homólogos e representantes de vários estados, assim como outros convidados.
Só estas alterações permitirão que a diplomacia seja a principal premissa, potências não façam da Ucrânia um semi-teste dos tempos da guerra fria, África seja ouvida permanentemente, estando representada no Conselho de Segurança, as crianças de Gaza não sejam dizimadas e ignoradas, nem tão pouco que Cuba ainda viva sob um embargo, há mais de 60 anos, por imposição de um membro da ONU, mesmo sem representar qualquer perigo com armas nucleares, bacteriológicas ou incentivar o terrorismo.








