Todos temos uma relação especial com o coração. É um órgão extraordinário. Em média, bate cerca de 100 mil vezes por dia, impulsiona milhares de litros de sangue e trabalha sem interrupção ao longo de toda a vida. É também o símbolo do amor, da coragem e das emoções. Dizemos que temos o coração apertado quando sofremos, o coração cheio quando amamos e o coração acelerado quando sentimos medo ou entusiasmo.
Não é por acaso que, recente mente, no Congresso Europeu de Cardiologia, foi apresentado o livro The Heart-Brain Connection: Why Psychology Matters in Cardiovascular Care, reforçando uma realidade cada vez mais evidente: a saúde cardiovascular e a saúde emocional estão profundamente ligadas. DR De facto, a dor torácica é um dos motivos mais frequentes de procura de cuidados médicos.
A simples presença de dor numa região do corpo que a maioria das pessoas associa a um potencial risco de vida é, por si só, geradora de ansie dade. Contudo, nem toda a dor no peito tem origem cardíaca. A mesma queixa pode ter significados muito diferentes consoante a idade, o sexo, os antecedentes pessoais e a presença de factores de risco.
O verdadeiro desafio é identificar quem está em risco antes que surjam complicações. Sabemos que a doença cardio vascular resulta da interacção de múltiplos factores, que ao longo dos anos contribuem para alterações vasculares, alterações hormonais, inflamação crónica, disfunção vascular e aumento sustentado da pressão arterial.
Apesar dos extraordinários avanços da Medicina, as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em todo o mundo. Esta realidade leva-nos a uma questão inevitável: por que continuamos a adoecer do coração quando uma grande parte da doença cardiovascular é prevenível? A resposta passa, em grande medida, pelo conhecimento do risco.
Muitos factores de risco desenvolvem-se silenciosamente durante anos, sem provocar sintomas. A ausência de sintomas não significa ausência de doença. É precisamente por isso que a avaliação cardio vascular periódica assume um papel fundamental. Actualmente dispomos de ferra mentas que permitem estimar o risco cardiovascular individual e orientar estratégias de prevenção cada vez mais personalizadas.
Conhecer os níveis de pressão arte rial, colesterol e glicemia, manter um peso saudável, praticar actividade física regular, não fumar, evitar o stress crónico e a privação do sono e realizar check-ups adequa dos à idade e ao perfil de risco são medidas simples, mas com enorme impacto na saúde e na longevidade. Importa também reconhecer que homens e mulheres não apresentam exactamente o mesmo risco cardiovascular.
Por: LORETTE CARDONA








