Quando Angola recorreu à China em busca de apoios para o seu processo de reconstrução nacional, ainda em curso, houve várias vozes que se mostravam contrárias por acredita rem que este país do Oriente não seria um aliado vital.
Mesmo depois de vários anos de guerra, que destruiu as suas principais infra-estruturas, não houve, por parte dos chamados países ocidentais, na altura, sensibilidade suficiente para a realização de uma conferência de doadores que teria dado um enorme jeito para reerguer a economia. Houve, num determinado momento, insinuações de que Angola era um país extremamente rico que se poderia autofinanciar.
A verdade é que, perante as dificuldades da época, era inevitável ter alguém que desse um empurrão. Por mais que se critique, por conta do modelo anterior (dinheiro por petróleo), o investimento chinês foi necessário. Permitiu construir várias infra-estruturas, estradas, centralidades, recuperar barragens e até mesmo edificar algumas novas.
Hoje, felizmente, no âmbito da diplomacia eco nómica defendida pelo Presidente João Lourenço, o país estabeleceu relações com outros Estados. Muitos dos quais se têm prontificado a fazer parcerias em determinados negócios em Angola, um facto que deixa algumas figuras inquietas.
Recordo-me de que, durante o auge da crise económica de Portugal, Angola – ou alguns endinheirados angolanos — contribuiu para que o país saísse do vermelho.
Durante um período, foram também os investidores chineses que acabaram por adquirir algumas firmas na fase dos vistos Gold. A vinda há dias no país do Sultão de Omã deixou determinados indivíduos com os cabelos eriça dos. Houve até mesmo comentários de que a entrada deste estado em muitos negócios poderá ajudar também a islamizar o país, à semelhança do que dizem ter acontecido em determinados países no continente.
Trata-se de uma narrativa que se usa sempre que os investidores de muitos países apostam no continente africano, tal como o fizeram em relação aos empréstimos da China. Há muito que fundos de muitos países árabes circulam pela Europa e até América, fazendo negócios. E, pelo que se vê, nestes estados, quase que não se nota os mesmos perigos que muitos acreditam vir a ocorrer somente em África.









