Sempre que passo pela conhecida rua do Laboratório de Engenharia, em Luanda, chama-me a atenção a movimentação registada em relação às senhoras que comercializam uma das iguarias que aí se vende: bombó, ginguba (amendoim para muitos) e banana assada. A referida rua deve ser um dos principais pontos de venda destes produtos na capital.
No início da tarde e ao cair da noite, são vários os transeuntes e automobilistas que não resistem a uma pequena paragem para adquirir o produto, matando saudades de uma infância ou até mesmo descobrindo o que anteriormente não puderam fazer. Mais do que o sabor, a mim salta à vista a parte comercial.
Numa pequena bancada ou carrinhos que haviam sido distribuídos pelas administrações municipais, as vendedeiras – incluindo muitas jovens – através deste negócio, aparentemente insignificante para muitos, constroem sonhos, alimentam vidas e permanecem intactas convencidas de que o amanhã venha a ser melhor.
Num país de megalómanos, é expectável que, para muitos, um primeiro passo em qualquer negócio ou actividade deva unicamente ser dado, gastando-se largos milhões de kwanzas ou dólares, como se assistiu num passado recente, muitas vezes sem resultados. Acredito que as senhoras da Rua do Laboratório de Engenharia não tenham necessidade de investir muitos milhões, embora sonhem um dia destes dirigir investimentos maiores.
Quando ontem me apercebi, por via de um comunicado, de que o Banco Mundial atribui uma nota positiva ao Fundo de Apoio Social por conta do projecto de transferência monetária, Kwenda, que atingiu os seus objectivos em cerca de 100 por cento, concluí, uma vez mais, que muitas vezes não é necessário tanto para se começar a galgar rumo a um destino melhor.
Ao longo dos anos, muitas têm sido as opiniões dadas por políticos e diversas entidades sobre o programa de transferências monetárias que o Executivo, em conjunto com o Banco Mundial, implementa para acudir às pessoas mais necessitadas. Muitas das quais abaixo do limiar da pobreza nos quatro cantos do país.
Os spots que vimos assistindo, através das televisões, de histórias de sucesso com aquele pouco que se recebe, são uma realidade que aos poucos se vai evidenciando dentro do espírito resiliente daqueles que não atiram facilmente a toalha ao tapete.
É o que se vê do camponês que aumentou a sua produção, da cidadã que adquiriu mais duas cabras para a procriação, do padeiro no Nzeto que começou com dois ou três sacos de trigo ou ainda da zungueira que aumentou o capital que hoje lhe possibilita oferecer o dobro ou o triplo de hortaliças e outras ervas que vende na bonita cidade do Lubango.
Há uma Angola real em que aquilo que se julga pouco acaba por impactar muito. Às vezes, mais do que os milhões postos em orçamentos cujos benefícios directamente nunca sentiram.








