Eram formidáveis os encontros que haviam dos principais grupos da sociedade civil nas fases anteriores e posteriores ao conflito armado. Escutar, na altura, entidades ligadas à AJPD, à Associação Cívica de Angola, do COIEPA, num outro momento, deixava qualquer um boquiaberto.
Apesar de políticos, o conteúdo das abordagens ajudava a vislumbrar o que o futuro nos reservava. E, hoje, passados muitos anos, vemos com algum alento o papel que desempenham na sociedade civil, nos partidos políticos da oposição e outros até acabaram por ingressar no Executivo.
O que mais chamava a atenção quase sempre era a imparcialidade com que alguns se exibiam, embora muitos nunca deixassem de mostrar simpatia por partidos e políticos. Seja na oposição, como até na então situação.
Os novos tempos vão mostrando o surgimento dos apodados grupos sociais. Há dias surgiu mais um e acredita-se que outros acabem por ser anunciados nos próximos tempos, sobrepondo-se à medida que se forem aproximando as eleições gerais.
À frente estão figuras ligadas ao conhecido ativismo, muitas delas muito distantes do sofle que se viveu outrora. Aliás, basta ver como alguns se exibem e apresentam as ideias, fazem pensar no contributo que poderão dar à sociedade nos próximos tempos. Não há dúvidas de que se trata, de facto, de grupos que podem ser considerados de pressão.
E o facto de muitos dos organizadores ou fundadores serem aqueles que sempre se predispuseram a realizar, sobretudo manifestações nas ruas da capital, algumas das quais tiveram um desfecho negativo, não deixa de apontar para o que se pode ver dentro de meses. Não tenho a mínima dúvida de que, quando chegar a hora, alguns farão apelos ao voto.
É tão normal em qualquer democracia, mas estou para ver se se terá em conta os programas dos partidos ou apenas slogans preconcebidos que há muito os rostos que lideram os grupos sempre manifestaram.
Prefiro acreditar que estejamos diante de grupos que agreguem muito valor à nossa política, às vezes debilitada, com ausência de debates, conferências profícuas que nos tragam propostas para o futuro risonho que todos desejamos.
Caso contrário, estaremos muito distantes de possíveis ‘Cinderalas’ à espera de príncipes que encontrem os pés de sapatos desaparecidos.
O passado e o presente de muitos, ainda na época dos activismos mais agressivos, apontam que os sapatos desaparecidos acabaram por ser, há muito oferecidos, a príncipes que sempre idolatraram.












