Quando era criança, tinha uma certeza absoluta: os adultos sabiam tudo. Tudo mesmo. Sabiam por que razão chovia, como funcionava o mundo, o que fazer quando alguém fi cava doente, como resolver problemas, onde estava qualquer coisa perdida e, principalmente, pare ciam saber sempre o que devíamos fazer. Na minha cabeça, crescer significava isso.
Um dia chegaria à idade dos adultos e, quase automaticamente, receberia todas as respostas que ainda não tinha. Hoje olho para trás e tenho vontade derir. Porque cresci, tornei-me adulto. E continuo à espera do momento em que alguém me entregue o manual. Aliás, começo a desconfiar de que muitos dos adultos que admirávamos quando éramos crianças também estavam apenas a tentar perceber o que fazer.
A diferença é que sabiam disfarçar melhor. Com o tempo, descobrimos que a vida não funciona como uma prova em que primeiro recebemos todas as perguntas, estudamos as respostas e depois somos avaliados. Quando começamos a achar que já conhecemos as respostas, a vi da muda as perguntas E muda sem avisar.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”





