Quando a mana Minga jurou, de pés juntos, que nunca pisa ria no carro do Seba — porque aquele era o genro mais desgraçado que já lhe tinha aparecido na vida —, ninguém quis acreditar. Diziam que, numa certa idade, os mais velhos deviam medir melhor as palavras.
Mas a mana Minga, apesar dos cabelos brancos, das sete filhas já feitas mulheres, dos netos e dos quinze bisnetos, nunca teve travão na língua. Espalhava as suas palavras amargas para todos os lados, sempre contra o Seba, justamente o terceiro genro, casado com a Kulela, uma das moças mais bonitas do bairro.
Naquele velho Lada cor de camarão, com os piscas partidos, os faróis baços, chaparia cansada, bancos rotos e sem sequer o tal ar-condicionado, a mana Minga recusava-se terminantemente a entrar.
Dizia que preferia andar nos carros do Pimbinho, do Jota Pé, do Luís Afonso ou do Kiko das Mangueiras — genros que, naquela altura, já desfilavam pelo bairro em carros importados e brilhantes. O Seba ouvia tudo em silêncio. Engolia as humilhações e seguia a vida.









