O Decreto Presidencial que estabelece o luto nacional em memória dos angolanos falecidos durante os conflitos armados entre 1975 e 2002 trouxe ao coração do país uma dor antiga que nunca de sapareceu completamente.
Há silêncios que vivem dentro das famílias durante décadas. Há nomes que continuam presos na garganta de mães que ainda esperam ouvir uma última vez a voz dos filhos que partiram para nunca mais voltar. Angola voltou a olhar para as suas próprias feridas.
E, por alguns instantes, o país inteiro parou para chorar os seus mortos. Não como números da História, mas como vidas humanas arrancadas do convívio das suas famílias. Muitas casas angolanas aprenderam a conviver com cadeiras vazias à mesa.
Houve crianças que cresceram sem o abraço do pai. Houve mães que envelheceram olhando todos os dias para a estrada, alimentando a esperança impossível de ver regressar o fi lho desaparecido na guerra.
Muitas famílias nunca tiveram sequer o privilégio de um enterro digno, de uma despedida ou de uma oração diante do corpo de quem amavam. Ficaram apenas as lembranças, as fotografias antigas e a dor silenciosa guardada no peito. Algumas lágrimas nunca chegaram a secar verdadeiramente.









