Nossa Seguros BFA Expo_Huambo BFA FIB EMPEMA-ENSA BANCO BAI STANDARD-BANK SOCIJORNAL
Qua, 26 Ago 2026
OPaís
Em directoOuvir a Rádio Mais em directo
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPaís
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPaís

CONTOS D’OUTROS TEMPOS: Dikwanza: o mestre que tudo fazia, mas nada entendia – Vidas de Ninguém (XXI)

Domingos Bento por Domingos Bento
8 de Maio, 2026
Em Opinião

Mestre Dikwanza era um homem sem pá tria e sem papéis. Vindo da República Democrática do Congo, cruzou a fronteira com a esperança de quem nada tem, mas viveu em Luanda como uma sombra. O seu mapa era o medo: escondia se nos becos da Mabor, nas zonas industriais da Petrangol e nos labirintos do bairro da Sonef.

Fugia das rusgas e do olhar das autoridades, carregando apenas as suas ferramentas e a sua astúcia. Foi no Bairro Palanca, reduto de tantos como ele, que Dikwanza encontrou o seu porto de abrigo por mais tempo. Ali, ele não era apenas um estrangeiro ilegal; era o homem dos mil ofícios.

Dikwanza apresentava-se como um génio da técnica, fazia de tudo um pouco, mas não entendia de nada. Se um carro não arrancasse, ele era mecânico. Se a chapa estivesse amassada, era batechapa.

Se a casa estivesse escura, tornava-se eletricista. Dikwanza passava-se ainda por pintor e serralheiro, dependendo da necessidade de quem batia à sua porta velha, localizada no anexo do fundo do quintal do vizinho Kiazamby, que já estava farto dele devido às fintas que dava na hora de pagar a renda.

Sempre que chegava o mês de pagar a casa onde vivia, Dikwanza apresentava sempre uma lista infinita de necessidades. Inventava doença, mentia estar sem dinheiro porque os biscates não estavam a ter clientelas, quando, na verdade, todos o viam de um lado para o outro, cheio de ferramentas e mochilas nas costas, fazendo novas vítimas com as aldrabices, mas nada entendia, pois o seu talento era uma ilusão perigosa. É que a falta de rigor, em cada trabalho, deixava um erro escondi do.

Os conflitos eram constantes porque as peças sobravam, os fios entravam em curto-circuito e a tinta descascava em dias. Nesta correria de aldrabices, a sua vida era um ciclo de fugas. Clien tes furiosos cercavam a sua casa dia e noite à caça do homem pelos estragos que causava.

Nos dias em que era encontrado, Dikwanza foi espancado inúmeras vezes e viveu sob a sombra constante de ame aças de morte por conta das suas burlas técnicas.

Entre as vítimas, o destino de Di kwanza cruzou-se com a bon dade do Tio Canguinha, um homem humilde que passava os dias na praça da Tigelinha, na Rua Di reita dos 4 Embondeiros, curva do sobre uma máquina de costu ra, remendando roupas por meros kwanzas para sustentar a exten sa, mas honrada família.

Querendo melhorar a situação da família, Tio Canguinha confiou em Dikwanza para erguer as paredes da sua casa. Foi o erro fatal. Dikwanza, com a sua habitual negligência, alinhou mal a estrutura e negligenciou os alicerces.

No final do dia, Dikwanza deu a obra por terminada, recebendo o seu pagamento e partindo em busca de outras vítimas sem aviso; o peso da alvenaria mal estruturada excedeu.

As paredes colapsaram sobre o interior da casa. A família do Tio Canguinha, que descansava no interior, foi soterrada. Não houve sobreviventes.

Enquanto o Tio Canguinha pedalava a sua máquina na praça, ganhando o pão com o suor honesto, a irresponsabilidade do mestre roubava-lhe tudo o que ele amava. Quando o velho alfaiate regressou a casa, não encontrou paredes nem abraços, apenas os escombros de uma vida destruída pela incompetência de um homem que sabia fazer tudo, mas tudo de forma deplorável.

A dor da perda o consumia, e cada canto da casa agora vazia ecoava as lembranças de momentos felizes. Com o coração pesado, Tio Canguinha decidiu que não permitiria que a tragédia o definisse; ele buscaria justiça e, acima de tudo, a força para recomeçar, tudo por conta de Dikwanza, que nada sabia, mas tudo fazia.

Recomendado Para Si

Quando o professor deixou de ser apenas professor…

por João Feliciano
26 de Agosto, 2026

Houve um tempo em que a figura do professor ocupava um lugar quase sagrado na comunidade. Não por que fosse...

Ler maisDetails

A importância da comunicação e imagem no processo da governação fiscal em Angola: um caso da Administração Geral Tributária

por Jornal OPaís
26 de Agosto, 2026

A comunicação e a imagem institucional são pilares fundamentais para qualquer organização pública ou privada. No contexto de instituições governamentais,...

Ler maisDetails

Inovar sem abdicar da ética, responsabilidade e protecção dos direitos humanos

por Jornal OPaís
26 de Agosto, 2026

A inteligência artificial deixou de ser um te ma reservado a laboratórios e empresas tecnológicas. Hoje, ajuda a redigir textos,...

Ler maisDetails

Oligarquia epistémica

por Jornal OPaís
26 de Agosto, 2026

Ao longo da modernidade europeia e norte-americana, de terminadas correntes filosóficas, antropológicas e científico-sociais produziram representações hierarquizadas dos povos e...

Ler maisDetails

Mais Populares

  • Ministério do Interior disponibiliza consulta do estado das inscrições do concurso público

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • GPL disponibiliza resultados da validação das candidaturas aos concursos públicos

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Governo do Cuanza-Norte abre concurso público para preenchimento de 221 vagas

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Governo Provincial de Luanda divulga fichas e locais das provas dos concursos públicos

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • 1º de Agosto entra com o pé direito no Girabola 2026/2027

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.