Nos dias que correm, as redes sociais em Angola transformaram se, em muitos casos, num espaço onde o debate de ideias cede lugar ao ataque pessoal. Discordar deixou de ser um exercício saudável de cidadania para se tornar, frequentemente, num pretexto para o assassínio de carácter. Em vez de argumentos, proliferam insultos; em vez de reflexão, impera a reacção impulsiva.
Este fenómeno revela não apenas uma crise de civilidade, mas também um preocupante défice de cultura de debate. A facilidade com que se escreve atrás de um ecrã, aliada a um certo sentimento de impunida de digital, tem contribuído para a banalização da ofensa. Quem pensa diferente é rapidamente rotulado, diminuído ou exposto, numa lógica de “ataque primeiro, pensar depois”.
Esta prática não só empobrece o espaço público, como afasta vozes que poderiam contribuir de forma construtiva para a socie dade. Afinal, quem quer participar num diálogo onde o preço é a própria dignidade?
Mais grave ainda é quando o insulto surge como substituto da argumentação. A incapacidade — ou falta de vontade — de sustentar uma ideia com base em factos e raciocínio sólido leva muitos a recorrer ao caminho mais fácil: descredibilizar o outro.
Trata-se de uma fuga ao de bate sério e uma demonstração clara de fragilidade intelectual. Num país que procura consolidar a sua democracia, esta tendência constitui um obstáculo ao amadurecimento cívico.
Por: JORGE MADEIRA









