Há conversas que quase toda gente já teve, mas poucos assumem em voz alta. Daquelas que começam com um comentário solto, um riso meio desconfortável, e de repente abrem uma porta que nem todo mundo está preparado para atravessar. Na nossa sociedade, existem com portamentos que, quando praticados por homens, são quase tratados como “coisas da vida”.
Não se concorda totalmente, mas também não se condena com a mesma força. Há sempre uma justificativa, um “é assim mesmo”, um encolher de ombros que normaliza o que, no fundo, sabemos que não está certo. Mas se experimentarmos mudar o cenário? Imagina que são as mulheres a fazer exactamente o mesmo. Será que a reacção seria igual?
Ou será que o julgamento viria mais rápido, mais pesado, mais duro? Pensa comigo. Quantas vezes já ouvimos histórias de homens com filhos fora do casamento, os nossos famosos “ir mãos de pai”, e aquilo entra qua se como um dado adquirido na dinâmica familiar. Pode haver dor, pode haver discussão, mas no fim, de alguma forma, aquilo encontra um lugar.
Agora inverte. Imagina uma mulher casada, que tem um filho fora, fruto de uma relação paralela. Consegue sentir o peso diferente? A forma como seria olhada? Fala da? Julgada? Não é preciso ir muito longe para perceber que o tratamento não se ria o mesmo. E isso não fica só por aí. Quando um homem trai, há quem diga que é da natureza, que foi fraqueza, que aconteceu.
Quando é a mulher, a narrativa muda completamente, a carga emocional e social é muito mais pesada, qua se como se tivesse quebrado algo irreparável não só na relação, mas na sua própria identidade. E aqui não estamos a defender o erro, nem de um lado nem do outro. Traição continua a ser traição.
Falta de respeito continua a ser falta de respeito. O que estamos a questionar é a for ma como escolhemos pesar a mesma acção, dependendo de quem a pratica. Agora deixa-me trazer isso mais perto de ti.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”









