Desde que me conheço como cidadão que acompanha a política, há algumas décadas, são várias as figuras que vi serem exoneradas, assim como nomeadas.
Quase sempre é comum ver tristeza e algum ressentimento até em indivíduos que acabaram defenestrados em ministérios, empresas públicas e privadas ou até mesmo em órgãos minúsculos.
Na verdade, muitos se esquecem de que, desde o dia em que foram escolhidos, também se abriu a vaga para serem afastados. É comum esse tipo de acções.
Pior ainda num país em que a cultura da demissão é obra para poucos mortais, porque o facto de existirem outros que perduram décadas, apesar de insucessos, faz até com que os medíocres nunca vaticinem o fim de um consulado em que se encontram.
Mas um dos aspectos mais importantes a se destacar é que poucos são aqueles que evidenciam nos que saíram um certo modelo. Ou tão somente dar continuidade aos projectos do seu antecessor, porque se acredita que, em qualquer instituição ou consulado, seja possível se divisar acções boas, algumas das quais merecem ser perpetuadas.
Há mesmo instituições, entre nós, em que todas as mudanças acabam por fazer nascer também um novo plano estratégico ou programa de acção.
Até mesmo naqueles casos em que o substituto pode ter sido um coadjutor do substituído. Nos últimos dias, o país assistiu a mais algumas exonerações e nomeações. Uma delas foi a substituição do ministro da Defesa, João Ernesto dos Santos ‘Liberdade’, que agora ocupa as funções de ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do Presidente da República.
Para ministério da Defesa, foi escolhido o general Lúcio do Amaral, que, por seu lado, deixa a província do Cuando às mãos de Carla Cativa.
Ontem foi a tomada de posse, tanto da nova governadora, como do próprio ministro da Defesa. E é usual, nestas cerimónias, em pleno Palácio da Cidade Alta, os recém-nomeados prestarem algumas informações.
Muitas vezes, alguns perdem-se logo em traçar propósitos, a definir até metas, muitas das quais irrealizáveis, porque acabam por entrar com o pé esquerdo, sem compreender de facto o que ao longo dos tempos os seus antecessores fizeram, tanto positivo como negativo.
Não sei se por se tratar de uma entidade desde muito ligada ao mundo castrense, mas o facto é que o novo ministro da Defesa não se perdeu em apontar metas, nem tão-pouco a dizer o que lhe vem à alma em relação à instituição de que agora é titular.
Pragmático, Lúcio do Amaral diz que se vai reunir antes com o seu antecessor para apurar o que se passou de facto na instituição. Ou seja, ver os projectos em curso e até as dificuldades que possam existir, o que lhe possibilitará, provavelmente, entrar com o pé direito.









