Quase duas semanas depois da catástrofe em Benguela, ainda se contam os prejuízos. Cada dia que passa, há uma nova versão dos factos. Não há notícias sobre o aumento do número de mortes, mas as que ocorreram, acima de 20, são suficientes para ficarmos enlutados durante muito tempo.
Há o caso das crianças desaparecidas, cujos pais, com certeza, não conseguem pregar o olho. Nestas alturas, nem que se tenha perdido uma casa ou mesmo haveres, o aparecimento de um parente, seja filho, irmão, pai ou mãe, acaba sempre por ser um verdadeiro alento e um estímulo para se levantar e encarar de frente o futuro que, querendo ou não, espera muitos dos sinistrados hoje espalhados pela cidade de Benguela.
E este futuro só seria viável se, além dos apoios que vão surgindo por parte da sociedade em bens diversos, também fosse extensivo para a recuperação das infra- estruturas sociais e económicas arrasadas pela fúria do rio Cavaco. As águas levaram quase tudo. Casas, escolas, centros de saúde e outras infra-estruturas públicas.
Do outro lado, acabaram também invadidas e destruídas propriedades que suportavam a estrutura económica de muitas daquelas localidades, como fazendas, lojas de grande e pequena dimensão, fazendo com que, nesta altura, muitos dos sinistrados e não só se questionassem sobre os próximos tempos.
A recuperação do tecido empresarial afectado nos últimos dias pelas catástrofes naturais, em Benguela, assim como noutras províncias em que ocorreram situações semelhantes, é imperiosa para não se agudizar ainda mais o sofrimento já existente.
Porque, sem empregos, um salário e outras benesses que muitos, se calhar, têm direito, se tornaria quase impossível ver muitos dos afectados reiniciarem o que já tiveram há anos.
Ontem, depois de uma reunião extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, o Executivo anunciou um pacote de 30 mil milhões de kwanzas para as empresas e os cidadãos particulares que viram os seus empreendimentos destruídos pelas cheias e outras situações provocadas pela natureza.
Antes das chuvas, circulavam relatos de estiagem noutras localidades, onde empresários e populares perdiam cabeças de gado bovino e caprino, sobretudo, por falta de água. Quando choveu, a desgraça de muitos agudizou em províncias como Cunene, Malange, Huíla e outras.
Para já, um dos mecanismos necessários será que os futuros beneficiários estejam regularizados e a situação fiscal em dia. Só assim muitos poderão beneficiar dos incentivos lançados pelo Estado, entre os quais ficar três meses com o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) a cobrir os 8 por cento para o pagamento dos trabalhadores, assim como ter acesso aos créditos para a recuperação dos negócios.
Depois deste anúncio feito pelo Executivo, tal como aconteceu durante as manifestações do ano passado em algumas províncias, em que centenas de estabelecimentos comerciais ficaram destruídos, a ajuda ficará dependente dos próprios empresários interessados, que devem apressar os seus documentos para que voltem a dar emprego a muitos angolanos e participem activamente na reconstrução das localidades arrasadas pelas chuvas e estiagem.









