Recentemente assisti a uma cena que, ao mesmo tempo que dá vontade de sorrir, também nos deve fazer pensar. Uma conversa entre um médico e uma outra pessoa. Daquelas pessoas simples, sem formação académica superior, mas muito “informadas”… ou pelo menos assim acreditava. O tema era uma doença.
O médico explicava com cal ma, com base na sua experiên cia, nos anos de estudo, nos ca sos que já tinha acompanhado. Falava com propriedade. Mas a cada explicação… vinha uma interrupção. “Não é bem assim…” “Eu vi um vídeo que dizia outra coisa…” “Isso já mudou…” E lá vinha o argumento. Sempre o mesmo fundamento: um vídeo visto no TikTok.
A certa altura, o médico parou. Olhou para a pessoa e perguntou, com alguma serenidade: “Você é médica ou profissional de saúde?” A resposta veio rápida: “Não, mas já assisti a um vídeo sobre isso no TikTok.”
O médico sorriu… e percebeu que a conversa tinha chegado ao fim. E eu fiquei a pensar. Porque esta cena, que parece isolada, está cada vez mais comum. Vivemos numa era em que o acesso à informação nunca foi tão fácil. Em poucos segundos, qualquer pessoa pode ver um vídeo, ler um resumo, ou vir uma opinião.
E isso, por si só, é extraordinário. Mas há um detalhe perigoso no meio disso tudo. A facilidade de acesso está a ser confundida com profundidade de conhecimento.
Ver um vídeo não é o mesmo que estudar. Ouvir uma opinião não é o mesmo que compreender um tema. Ter informação não é o mesmo que ter formação.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”
N’gassakidila.








