Depois do anúncio feito pelo Presidente do MPLA de que se deverá retirar dos Comités de Acção do Partido (CAP) uma cifra de 15% para o Comité Central, a ser eleito em Dezembro próximo, os camaradas decidiram igualmente reduzir a sua composição. Contrariamente aos mais de 693 membros, a vice- presidente do partido, Mara Quiosa, salientou que haverá uma redução de 100 lugares. Trata-se de uma medida que não deverá abranger os órgãos intermédios, realçando que vão sempre respeitar o princípio da continuidade em 55% e da renovação em 45%.
A esta hora, seguramente, muitos já vão fazendo contas. Apesar de ter aumentado largamente no último congresso, com a entrada em massa de jovens, sobretudo, houve críticas em relação a muitos destes num processo que criou alguns dissabores. Em surdina, alguns diziam até que se tinha optado mais pela quantidade do que propriamente pela qualidade política.
Não obstante o número, hoje os que dão o rosto para defender a bandeira do partido são quase sempre os mesmos, desconhecendo- se o paradeiro de muitos daqueles que acabaram bafejados com a sorte de conseguirem um lugar no ainda extenso Comité Central.
A redução, ao que tudo indica, vai provocar uma forte competitividade, sobretudo a nível das bases, de onde deverão sair mais de 10 por cento dos futuros membros. Adivinha-se uma romaria nos Comités de Acção por parte de muitos aspirantes. Com o repto lançado pelo Presidente do MPLA, é certo que, a nível das bases, já se tenham começado movimentações. Nasce claramente uma oportunidade para que figuras até anónimas para muitos, mas que se destacam a nível das suas municipalidades.
Durante algum tempo, muitos destacados militantes acabavam quase que esquecidos nas bases, e os lugares eram ocupados por outras pessoas, muitos dos quais não desbravavam o terreno político, principalmente nas horas derradeiras. O regresso às bases é também uma questão de justiça. Afinal, é lá onde estão muitos dos que diariamente vendem a imagem do partido, os seus propósitos e defendem com veemência, mesmo nos períodos em que se critica de forma acirrada os seus responsáveis.








