Meu irmão, não é por acaso que, Alain Graf, em As Grandes Correntes da Filosofia Antiga, chama atenção a sociedade da sua época, e o seu pensamento transcende, “(…) é necessário procurar o que é bom para todos os homens, e não simplesmente o que parece agradável a cada um” (1997, p.13).
Então, que elevemos que é bom para to dos como modo vital de vida ou, então, seremos como corvos que só anunciam desgraças quando o luar dança na aldeia. Nesta perspectiva de conscientização simbólica, o amor é a chave para que o bem triunfe.
O amor é a conquista milenar, é a ética que se alicerça sob os pilares cooperativos, o amor é a cultura do bem, o amor é o ápice das revoluções humanas, o amor é o mel das civilizações. O amor é o mais nobre acto de educar.
Daí que nos sopra Agostinho Neto “A formação de quadros é alavanca da revolução”. A educação é o ponto de partida e de chegada, neste sentido rendo a minha singela homenagem ao Sr. Abilio Lumbamba pela construção do Instituto Superior Rei Luhuna que funciona em Ondjiva. Meu irmão, que a nossa breve e longa passagem terrena seja também divina. Que amemos
à terra, que amemos ao próximo com a mesma intensidade, com o mesmo fervor e com a mesma sabedoria para que a nossa alma não seja um pântano. Que nos abracemos verdadeiramente sem os espinhos fantasmas.
Que sentemos à sombra da mulemba de Teta Lando, que dancemos à nostalgia de Han danga, que façamos do olupa le a assembleia das concertações humanas: plantar e colher prin cípios. E que o país novo de Ma tias Damásio não seja o parado xo de amar o maruvo e beber o vinho.
Que tenhamos virtudes para compadecermo-nos com os embalos das mulheres que cantam cansaços, dos gizes que gritam pés de olhares inflamados. Que a democracia não seja este embuste da maioria, como diz o Edu Rocha.
Meu irmão, que esta breve narrativa de paz, de amor e de em balo poético seja o transformar das nossas mãos que uni das são milagres por meio do trabalho honesto. Que o trabalho honesto seja o pincelar dos nossos dias afunilados pela ganância de uma minoria.
Meu ir mão, que este embalo poético de paz te encontre de sã consciência: sem as fantasias ideológicas, sem o fanatismo religioso, sem as crenças pré-concebidas, sem as mãos de carvão, sem a língua de verniz, sem o mercenarismo intelectual.
Meu irmão, eu ainda acredito piamente que vamos a tempo de reorientarmos os ventos do nosso presente destino, de desenvolvermos a capa cidade do verdadeiro perdão como o de Cristo.
E como dizia António Cardoso “É preciso não aceitar, se choramos aceitamos”. Meu irmão, é preciso não aceitar que o ódio seja maior que o amor, não aceitar veementemente que sejamos incapazes de perdoamo-nos, que sejamos estanque à aceitação da pluralidade, da construção conjunta de milhares de sonhos pátrios que nos encham de orgulho. É preciso que cortemos os espaços de arrogância de concluirmos que os outros não pensam.
Que este embalo poético te faça perceber que é preciso que não sejamos mais os arremessos de egos e disputas voláteis. O futuro que foge de nós será o cáliceamargo dos nossos filhos.
Ou mudemos o curso das palavras em acção ou então condenamo-nos ao fracasso, ao descaso geracional e à falência milenar. É preciso lavrar o campo com cada gesto de palavras melhores para que o amanhã não seja uma miragem.
Por: HAMILTON ARTES








