Ao acompanhar o discurso do presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, durante a inauguração da Galeria de Honra dos antigos presidentes do Parlamento, na última quarta-feira, senti que aquele acto ultrapas sou a simples cerimónia institucional.
Tratou-se de um momento de memória, de reconhecimento histórico e de respeito por homens e mulheres que dedicaram parte das suas vidas à construção de Angola.
A homenagem não foi apenas dirigida às figuras retrata das na galeria, mas também à própria história do país e ao percurso do parlamentarismo angolano.
Num tempo em que o imediatismo domina muitas conversas e decisões, considero importante que a sociedade aprenda a valo rizar aqueles que abriram caminhos antes de nós.
Nenhuma nação cresce de forma sólida quando ignora os seus próprios construtores. Honrar figuras históricas como França Van-Dúnem, Roberto de Almeida, Paulo Cassoma, Fernando da Piedade Dias dos Santos e Carolina Cerqueira, não significa idolatria, nem ausência de pensa mento crítico.
Significa reconhecer contributos, preservar memórias e transmitir referências às novas gerações. Um país sem memória torna-se vulnerável ao esquecimento dos seus próprios valores.
Ao olhar para a história de Angola, percebo que muitos homens e mulheres enfrentaram enormes sacrifícios durante a luta de libertação nacional e nos difíceis períodos que se seguiram à independência.
Alguns deram a juventude, outros perderam familiares, outros renunciaram ao conforto pessoal para servir o país. Muitos já partiram sem receber o devido reconhecimento público. Por isso, considero que actos como a criação da Galeria de Honra ajudam a devolver dignidade à memória nacional.
A homenagem aos antigos presidentes da Assembleia Nacional representa também o reconheci mento do papel das instituições na consolidação do Estado angola no.
Muitas vezes, a sociedade valoriza apenas figuras ligadas ao poder executivo ou às chefias militares, esquecendo que o Parlamento teve igualmente um papel importante na construção democrática, na produção legislativa e no fortalecimento das bases institucionais do país. A história de Angola também se escreve por meio do debate parlamentar.
Por: YARA SIMÃO









