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A institucionalização das línguas nacionais como instrumento de inclusão social e fortalecimento da governação em Angola

Jornal OPaís por Jornal OPaís
17 de Março, 2026
Em Opinião

A governação moderna exige que o Estado seja capaz de comunicar com os seus cidadãos de forma clara, eficaz e inclusiva. Em países cultural e linguisticamente diversos, essa comunicação não pode de pender exclusivamente de uma única língua oficial.

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Em Angola, onde coexistem diversas línguas nacionais — entre as quais se destacam o Kimbundu, o Umbundu e o Kikongo — a institucionalização dessas línguas deve ser compreendida não apenas como um acto cultural, mas como uma estratégia de governação inclusiva e de desenvolvimento social.

Segundo a Constituição da República de Angola (2010), o Estado reconhece e valoriza as línguas nacionais enquanto património cultural do país, devendo promover o seu estudo, valorização e utilização. Contudo, apesar deste reconhecimento jurídico, a presença dessas línguas nos espaços institucionais continua limitada.

A administração pública, os serviços de saúde, a justiça e grande parte da comunicação institucional permanecem fortemente centrados na língua portuguesa, o que, em determinadas regiões, cria bar reiras reais entre o Estado e uma parte significativa da população.

Diversos estudos na área da sócio linguística e das políticas linguísticas demonstram que a utilização das línguas maternas nos processos administrativos e educativos aumenta significativamente os níveis de participação cidadã e de compreensão das políticas públicas.

A UNESCO, por exemplo, tem reiteradamente defendido que o uso das línguas maternas nas instituições públicas fortalece a inclusão social e contribui para uma governação mais democrática.

Relatórios da organização sublinham que sociedades que reconhecem e integram as suas línguas locais nos sistemas administrativos tendem a apresentar níveis mais elevados de participação cívica e confiança nas instituições. No contexto angolano, essa ques tão assume uma relevância particular.

Estimativas linguísticas indicam que milhões de cidadãos utilizam predominantemente línguas nacionais nas suas interacções quotidianas.

Leia mais em…

Por: FERNANDO CHILUMBO

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