Quando, há uns quatro anos, passei pelo Prenda, uma das zonas históricas de Luanda, e vi que quase não existiam as tampas das sarjetas em quase toda a sua extensão, fiquei apavorado. Pensei logo no martírio que deve ser para os pais que encaram os seus filhos e familiares brincando, correndo estes o risco de poderem, por acidente, entrar num daqueles buracos que sabe-se lá o que existe mais no seu interior.
Desde aquela altura, passei a observar com maior atenção para o vandalismo de bens públicos. Não tendo outro poder que não seja usar este espaço, denunciei, e não sei se neste momento o Prenda já tem as suas tampas das sarjetas repostas, o que seria bom demais, sobretudo para os automobilistas e os próprios transeuntes. Nos últimos tempos, surgiram inúmeras campanhas sobre o assunto.
De igual modo, revelou-se também o buraco financeiro que o vandalismo vai criando, sendo que o sector da electricidade continua a ser um dos mais afectados, com um prejuízo que se diz superior a 50 milhões de dólares.
Os responsáveis do pelouro têm vindo a público apelar aos vândalos que se abstenham de tais práticas, assim como medidas administrativas determinaram o encerramento das famosas lojas de pesagens, espaços onde acabavam por fluir os materiais ferrosos e outros que provinham dos actos de vandalização de bens públicos.
Houve, por outro lado, a aprovação de uma lei, duríssima, para crimes do género, sendo que a pena máxima atinge os 20 anos, como forma de se desestimular a prática de tais actos. Acredito que ainda seja cedo demais para se poder aferir os efeitos da referida norma, que acabou por merecer da sociedade apoios e também críticas.
Apesar de todas estas iniciativas, legislativas sobretudo, parece ainda imperar na sociedade algum receio em relação ao desaparecimento de bens públicos por conta dos actos de vandalismo.
Não fosse isso, com certeza, nunca pensaria em ver o que vi ontem: uma cabine de energia acorrentada, porque os beneficiários receiam que seja furtada a qualquer momento.
Não sei se se trata de algum exagero, mas haverá razões para que se tenha tomado tal atitude, mesmo estando o bem em plena via pública, numa das mais novas ruas abertas em Luanda pelo governador provincial: a famosa via que liga o Kibango à rua da Suave. Quem diria








