Ao longo de duas décadas no sector bancá rio, aprendi uma lição que plataforma nenhuma por mais moderna, segura ou integrada que seja consegue transmitir; o maior património de uma organização não está nos seus activos financeiros ou nos seus edifícios.
Está nas pessoas. São elas que criam valor exponencial, ao passo que os computadores apenas processam dados. Esta verdade tornou-se ainda mais evidente com os ciclos de trans formação que vivemos. A pandemia da COVID-19 não mudou apenasas regras; mudou a forma de fazer negócio. Vimos reestruturações profundas, fusões e cortes que resultaram na saída de mais de 4000 profissionais do sector bancário.
Vi, com tristeza, o encerramento de agências emblemáticas e o fim de carreiras brilhantes, onde competências valiosas foram deixadas à mercê do descaso. Neste novo cenário, o capital humano que permaneceu teve de se reinventar. Aprendemos que reter talentos deixou de ser uma tarefa burocrática do Departamento de Recursos Humanos para se tornar uma responsabilidade directa de cada líder.
Contratar hoje não é apenas preencher uma vaga com alguém tecnicamente apto. Precisamos de pessoas com inteligência emocional, comprometimento, resiliência e ética. Num mercado que encolheu, atrair o talento certo significa encontrar quem partilhe o propósito da instituição. Ninguém quer entrar num barco cujo destino é incerto ou opaco. Muitas vezes ouço gestores dize rem “Tenho receio de formar os meus colaboradores e vê-los sair para a concorrência”.
A minha resposta é sempre a mesma o verdadeiro risco não é formar quem sai, mas sim não formar quem fi ca. Pior ainda é formar sempre os mesmos, por amiguismo ou con veniência.
Um talento não floresce por acaso; ele precisa de um ambiente onde o erro seja visto como parte da aprendizagem e onde existam de safios reais. Desenvolver pessoas exige método e, acima de tudo, a coragem de apostar no potencial de quem quer aprender, dele gando responsabilidades de forma progressiva.
Por: IVANNO GAMA








