A participação femi nina no mercado de trabalho no nosso país, tem aumentado de forma significativa. Apesar de ainda ser visível em algumas regiões, na maioria do país a mulher angolana deixou de ocupar exclusivamente o espaço doméstico para assumir funções relevantes nas empresas, na administração pública, no empreendedorismo e principalmente na economia informal.
No entanto, esta presença crescente no mundo laboral não eliminou os desafios estruturais que influenciam profundamente o seu estado psicossocial. O estado psicossocial da mulher tem a ver com o conjunto de factores emocionais, sociais e culturais que condicionam o seu bem-estar, a sua auto-estima e a sua capacidade de desempenho nas diversas esferas da vida.
Em Angola, estes factores são particularmente relevantes no ambiente de trabalho, onde muitas mulheres enfrentam simultaneamente exigências profissionais intensas e responsabilidades familiares extensas.
Um dos aspectos mais mar cantes é a chamada dupla ou tripla jornada de trabalho. A mulher trabalhadora, para além das suas funções profissionais, continua a assumir a maior parte das responsabilidades relacionadas com o cuidado da família, gestão do lar e educação dos filhos. Esta sobrecarga gera níveis elevados de stress e fadiga emocional, que muitas vezes se reflectem no seu desempenho laboral e na sua qualidade de vida.
Outro factor relevante prende se com as pressões culturais e sociais ainda presentes em determinados contextos. Apesar dos avanços na legislação e nas políticas de promoção da igualdade de género, persistem percepções que colocam a mulher em posição secundária no mundo profissional.
Em alguns ambientes organizacionais, a liderança feminina ainda é vista com reserva, obrigando muitas profissionais a provar constantemente a sua competência e capacidade. A questão da segurança psicológica no trabalho também merece atenção.
Ambientes laborais marcados por discriminação, assédio moral ou falta de reconhecimento podem afectar seriamente a saúde mental das trabalhadoras. A ausência de políticas institucionais claras de promoção do bem-estar e de equilíbrio entre vida profissional e familiar agrava ainda mais esta realidade.
Por: YONA SOARES
*Advogada | Especialista em Gestão de Recursos Humanos








