Há algum tempo, regressar às bases para subir com ela foi apresentado como premissa pelos camaradas. Era, afinal, por intermédio dos Comités de Acção e até dos Comités Municipais que se acreditava que muitos militantes pudessem fazer vincar os seus pontos de vista, assim como aspirar atingir os lugares mais cimeiros a nível desta organização política.
Tanto no passado como no presente, após as alterações ocorridas, entrar no Comité Central do partido no poder constitui o sonho de muitos. É visto ainda, por outros, nos dias que correm, como meio caminho andado para se calcorrear outros vôos. Mesmo após um dos discursos do Presidente João Lourenço, já enquanto líder do MPLA, dizendo que chegar ao Comité Central não correspondia a qualquer outro privilégio, ainda assim, a busca por um assento não refreou, havendo mesmo quem, se calhar, percorresse outros caminhos para aí estar.
Os modelos de entrada sempre suscitaram debates. Tempos houve até em que altos dirigentes da organização viram os seus nomes expostos na praça pública por supostamente terem favorecido a entrada de alguns membros. Todavia, as alterações ocorridas nos últimos conclaves, que fizeram com que as composições do Comité Central (cerca de 700) e do próprio Bureau Político (mais de 100) aumentassem significativamente, também mereceram aplausos de alguns e muitas críticas.
Sobre o Comité Central, que registou um aumento mais do que significativo, muitos dos rostos exibidos continuam a ser desconhecidos por muitos, incluindo nas próprias organizações de base, onde um número elevado de membros acredita ter sido colocado à parte por mecanismos que dizem desconhecer. Quem acompanha os debates em que são convidados muitos dos integrantes do partido no poder saberá que os rostos são quase os mesmos.
Alguns deles até afastados da anterior composição, embora tenham se demonstrado ao longo dos anos nos seus comités como autênticos cabos eleitorais. Regressar verdadeiramente às bases, isto é, aos Comités de Acção, muitos dos quais sem a acutilância de outrora, devolveria às referidas estruturas um papel mais participativo e igualmente um viveiro ou incubadora de verdadeiros políticos talhados aos desafios a nível nacional que a organização enfrenta nos dias que correm.
Até hoje, ainda perdura no seio de muitos integrantes do MPLA o sentimento de que alguns só foram guindados por critérios que não passaram, necessariamente, pela participação e afirmação a nível dos Comités. A uns, embora doa, muitos acreditam que os nomes, sobrenomes e, talvez, conhecimentos terão falado mais alto.








