Há poucos dias, o debate sobre um hipotético pacto de transição ou de regime esteve à baila. É proposto pela UNITA, o maior partido na oposição, que esta semana completa 60 anos de existência, desde que Jonas Savimbi e os pares o fundaram na aldeia de Muangai, no Moxico.
Por ironia do destino, foi nesta província onde, há 24 anos, Savimbi viria a falecer. E é no Muangai onde os ‘maninhos’ tencionavam comemorar o aniversário da organização, numa altura em que também realizam as suas jornadas parlamentares. Restabelecida a paz política e militar – embora alguns teóricos acreditem que só há paz civil quando todos tiverem um pão à mesa – era suposto que não existissem mais perigos que pudessem contrapor a livre circulação de pessoas e bens. Pelo menos é assim que deveria ser no plano teórico.
Na prática, pelo que nos tem sido dado a observar, sobretudo por alguns incidentes com engenhos explosivos, muitos são os cidadãos que ainda perdem a vida por manejá-los e outros por, acidentalmente, accioná-los nas estradas com carros, motos e outros meios. Angola, depois de um conflito armado que durou mais de três décadas, foi sempre descrita pelas organizações internacionais como um dos países mais minados do mundo. É claro que as duas décadas de paz deveriam conferir uma situação normal, só que quem circula pelas estradas do país, principalmente naquelas zonas mais afectadas, tem noção de que toda a cautela é pouca.
Até mesmo nas grandes cidades, onde era previsível que não devesse encontrar objectos do género, nos últimos tempos, fomos surpreendidos com incidentes que provam o contrário. As informações avançadas apontam que até alguns catadores de lixo e materiais ferrosos acabam debilitados depois de terem encontrado minas e outros meios militares nas redondezas das grandes cidades, onde, para muitos, era quase impossível divisar meios do género.
Depois de a Administração do Muangai, no Moxico, ter aconselhado a delegação da UNITA a não se deslocar no local por estrada, porque se acredita que ainda existam muitas minas no local, levantou-se uma série de suspeições sobre a informação passada. O que se passou inicialmente foi que haveria um certo receio das estruturas do Estado por conta da actividade dos maninhos.
Entretanto, o que se pensa é que os responsáveis da edilidade terão feito o seu papel, porque, se ocorresse um caso que pudesse colocar em perigo a vida de algum político, ou até mesmo cidadãos anônimos, não acredito que os visados iriam imputar às autoridades.
O excesso de desconfiança acaba muitas vezes por minar qualquer acção que tende a restaurar o que se acredita estar a ser perdido. E não creio que, nesta altura do campeonato, alguém ande a minar o território, como se quer fazer crer, até prova em contrário.








