Portugal já tem um novo Presidente da República. António José Seguro, militante do Partido Socialista, que chegou a dirigir, substitui o professor Marcelo Rebelo de Sousa. Depois de dois mandatos, o antigo líder português voltará à docência, uma das suas principais praias.
Numa eleição marcada por vários candidatos, Seguro teve de recorrer à segunda volta, no início do presente ano, para cilindrar nas urnas o presidente do Chega, André Ventura, cujo partido viu reduzir os votos na hora derradeira quando os portugueses foram chamados a escolher entre os dois.
Durante a campanha eleitoral, ficou patente o que vinha de cada um dos concorrentes. Seguro era, certamente, a escolha do bom senso e a continuidade da melhoria das relações entre Portugal e seus parceiros política e comercialmente, entre os quais os países africanos de língua oficial portuguesa.
André Ventura, tal como se viu durante as campanhas, algumas das quais pregando o ódio e discriminação contra os imigrantes, era, ao que tudo indicava, um concorrente que poderia levar ao rompimento de relações sempre prezadas pelos antecessores de José Seguro. Através das redes sociais, foi possível divisar o tipo de político que se corria o risco de ter na presidência lusa, insultando aqueles que um dia pretendia que fossem os seus homólogos ou com os quais seria obrigado a partilhar palcos, sobretudo nas grandes cimeiras internacionais.
Quem não tem sequer o pudor de reconhecer os males provocados também pela colonização, assim como as atrocidades que muitos puderam passar, não nos parece que tivesse alguma dignidade de auspiciar mais nem tão pouco capacidade para fortalecer quaisquer laços. Angola e Portugal, independentemente das diferenças que possuem, estão fadados a continuarem unidos, não obstante o facto de existirem entre os seus políticos alguns mais entusiasmados que outros.
Os fortes laços, alguns até sanguíneos, irão sobreviver até mesmo os sonhos mais escabrosos de quem acredita que a história construída ao longo de mais de quatro séculos se possa interromper por simples caprichos. São vários os interesses espalhados em ambos os países.
De angolanos em Portugal e de portugueses em Angola, muitos dos quais nem sequer esperam um dia regressar à terra que os viu nascer. E a melhoria da cooperação só será possível com líderes que consigam aproximar mais do que afastar, como alguns dos pretendes que acabam apeados por José Seguro. É assim que se pôde perceber os gestos do actual presidente português quando recebeu com entusiasmo os seus homólogos presentes na cerimónia de tomada de posse.








