Os resultados do último censo indicam que somos mais de 36 milhões de angolanos. É sabido igualmente que, deste número, há uma franja considerável de jovens e crianças, sobretudo num país onde falar do planeamento familiar acaba muitas vezes por ser um tabu.
Nos últimos anos, as projecções indicavam que a população crescia a um ritmo acima de três por cento, acima do próprio crescimento económico, o que a olho nu demonstra que, por mais esforço que se faça, muitas das tarefas incumbidas ao Estado dificilmente irão atender a todas as necessidades dos cidadãos. A cada ano que passa, assiste-se a um aumento de crianças que precisam de uma escola para estudar.
Em muitas localidades, é visível a construção de novas salas de aulas, muitas das quais criadas no âmbito do Programa Integrado de Intervenção aos Municípios (PIIM).
Ainda assim, o surgimento de novos bairros, nas províncias mais populosas, acaba por evidenciar a necessidade premente que se tem em construir-se cada vez mais salas de aulas. Só que o Estado, por mais que pretenda, dificilmente conseguirá acompanhar a dinâmica que estes novos assentamentos vão introduzindo às suas necessidades em termos de educação, saúde e até segurança.
Aquando da tomada de posse da nova ministra da Educação, que substituiu Luísa Grilo, que prometia levar inteligência artificial até aos mais novos, ficou-se a saber que o Executivo do Presidente João Lourenço pretende investir os dinheiros recuperados no exterior na construção de escolas para que não existam crianças fora do sistema de ensino.
‘Estamos a trabalhar para conseguirmos recuperar os recursos financeiros que se encontram em bancos lá fora, em bancos europeus e não só, e que, por sentença de tribunais angolanos, são recursos que hoje pertencem ao Estado angolano e devem ser revertidos a seu favor’, garantiu o Presidente da República.
Não há, entretanto, um valor avançado, o que significa que estes montantes poderão ser aplicados à medida que forem sendo desbloqueados. Porém, dados avançados há algum tempo pelo Centro de Estudos da Universidade Católica de Angola apontavam que terão saído do país, por conta da corrupção, mais de 100 mil milhões de dólares norte-americanos.
O referido estudo indicava que parte significativa foi através da construção civil, um dos sectores que se acredita que muitos milhões de dólares acabaram ‘drenados’ para contas no exterior, mormente em paraísos fiscais.
Embora não seja ainda o esperado, o resultado do combate à corrupção apresentado pela ProcuradoriaGeral da República aponta para valores que rondarão hoje os mais de sete mil milhões, que se acredita que venha, posteriormente, a sair alguns valores para se dar o empurrão à construção de mais escolas para reduzir o número de crianças fora do sistema de ensino.








