J á lá vão uns anos desde o momento em que com um grupo de amigos nos reunimos algures no Bairro Palanca, numa tertúlia, depois de longos dias de trabalho. Foi num destes momentos em que cruzamos, esporadicamente, com um antigo activista político que nos disse, sem tergiversar, que, no passado, qualquer tentativa de manifestação que invocasse tinha logo a situação resolvida.
Por situação resolvida, por incrível que pareça, se poderia entender, segundo o próprio, que recebiam sempre um emissário que acabava por lhes entregar qualquer quantia para que estes paralisassem qualquer acção contestatária. Inicialmente, por mais que quisesse acreditar, sempre fui relutante em acreditar que houvesse quem se preocupasse constantemente com o facto de existirem manifestações.
Primeiro, por se tratar de um direito consagrado na própria Constituição, no âmbito dos direitos e deveres que cada angolano possui. Segundo, porque, apesar dos receios, poucas são as manifestações que terão movimentado um número considerável de cidadãos, ao ponto de as próprias autoridades se sentirem acossadas. Pelo contrário, durante algum tempo, foi até visível o facto de muitos se aproveitarem das manifestações e outras formas de reivindicação até para saquearem e destruírem bens públicos e privados.
As escaramuças no Benfica, que destruiu uma sede do partido no poder, e as recentes invasões e depredação de lojas e outros estabelecimentos comerciais em Junho do ano passado são exemplos concretos. Sem desprimor para as reivindicações que muitos fazem, algumas das quais impossíveis de se menosprezar, há um movimento que se vai aproveitando deste processo para retirar dividendos.
Entre estes constam muitos dos ditos revolucionários ou integrantes de um certo movimento cívico, mas muito distante dos valores que grupos que se prezam verdadeiramente com os seus cidadãos apregoam. O que se vai constatando, ultimamente, é que as posições e o fel disseminado por muitos deles parecem que nada têm a ver com aquilo que verdadeiramente sentem.
São antes concepções devidamente urdidas cujo fito passa por serem notados por alguma instituição ou entidade para que possam, no final, amealhar alguma coisa. Senão vejamos: o que se pode dizer das trocas de acusações e insinuações que vão sendo feitas por alguns supostos activistas que, há poucos meses, procuravam vender uma imagem de preocupados com o país.
Alguns deles até se deslocaram a outros países, sabe-se com que fundos, para perseguir os seus objectivos, quando não se sabe sequer que estejam envolvidos noutras actividades profissionais que lhes garante saltitar de um lado para o outro. A julgar pelo nível de ameaças –e pessoas que vão sendo envolvidas – o tempo nos reserva muitas surpresas.
Não poderia ser o contrário, sobretudo quando algumas organizações fazem destes fontes e elementos de confiança em detrimento de outros organismos e entidades com as quais se deveria dialogar.
Felizmente, as profecias lançadas por muitos que durante largos anos andaram aos movimentos cívicos, revolucionários e outros grupos contestatários se vão concretizando. Para muitos deles, era só mesmo uma questão de dinheiro e nada mais.









