Nossa Seguros BFA SB Expo_Huambo BFA FIB BANCO BAI STANDARD-BANK SOCIJORNAL
Seg, 14 Set 2026
OPAÍS
Em directoOuvir a Rádio Mais em directo
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Editorial
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Editorial
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS

A morte de Deolinda Rodrigues e o ódio exacerbado a Holden Roberto

Paulo Sérgiopor Paulo Sérgio
26 de Setembro, 2025
Em Opinião

Conacri foi a porta de entrada de Deolinda Rodrigues no seu regresso ao continente africano, em Janeiro de 1962, graças à ajuda do embaixador Boubacar Diallo Telli, então representante da Guiné na ONU.

De lá, seguiu para Acra, capital do Gana, e posteriormente para Léopoldville, no Congo, onde reencontraria os companheiros de luta. Depois das peripécias em Portugal, Brasil, Estados Unidos e uma breve passagem pela Holanda (Amesterdão), Deolinda respirava agora um ambiente que lhe transmitia maior confiança na vitória contra o colonialismo. Esse sentimento era reforçado pela libertação de Agostinho Neto, que trabalhava para criar uma frente militar capaz de unir guerrilheiros da UPA e do MPLA. Essa iniciativa atraía guerrilheiros da UPA para se unirem a Neto.

Numa carta dirigida ao seu “confidente” Jacinto Fortunato (a quem tratava pelo cognome de Kanhamena), datada de 06 de Agosto de 1962, Deolinda escreveu: “A saída dele [Neto] foi uma bomba e grande derrota para os nossos carrascos: uma vitória incalculável para todos nós.”

Mas o entusiasmo não escondia as divisões. Para a jovem militante, a iniciativa de Neto estava condenada a esbarrar em líderes que, radicados no Congo há anos, viviam o nacionalismo e faziam política à moda local.

Em vez de se concentrarem na luta do povo angolano, estavam mergulhados em ambições pessoais e disputas regionais, raciais e religiosas. Contrariamente à posição assumida pelas pessoas que se viram obrigadas a abandonar Angola por conta do conflito armado.

No mesmo ano, Deolinda integrou a secretaria do Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados (CVAAR), onde reforçou os contactos com conterrâneos ansiosos por uma nova etapa da luta.

Num desabafo a Fortunato, foi categórica: “Quando a luta organizada e nacional começar mesmo… os portugas vão sofrer terrivelmente.” O diário, o seu confidente habitual, foi deixado de lado à chegada a Léopoldville, em Março de 1962, sendo retomado apenas no dia 28 do mesmo mês (mas do ano seguinte) para registar o balanço de um ano de exílio: dificuldades para o movimento, mas também aprendizagem política.

Deolinda considerava que o MPLA tinha chefes em demasia, o que gerava conflitos internos e descontentamento entre militantes. Nesse mesmo ano, foi informada por Lúcio Lara da morte do irmão, Pedro Francisco de Almeida Sobrinho, estudante que fugira de Portugal para a França.

A notícia deixou-a profundamente abalada e incapaz de participar na reunião do Comité Director do MPLA que se realizava naquele dia, facto que mais tarde avaliaria como um erro.

A dor pessoal coincidiu com a pressão política, pelo facto de o governo congolês ter encerrado o CVAAR e a sede do MPLA em Léopoldville, numa tentativa de empurrar os nacionalistas para a UPA, a pedido de Holden Roberto. Apesar dos golpes, a convicção de Deolinda mantinha-se firme. Em carta a sua amiga Luzia de Jesus, datada de 4 de Março de 1965, escreveu: “Quando um povo acorda e está decidido a vencer ou a morrer.”

O que a preocupava eram as divisões internas no MPLA, então marcadas por um alegado conflito entre a direcção de Neto e o grupo de Viriato da Cruz (co-fundador do MPLA, autor do seu manifesto e então secretário-geral) e Matias Miguéis (um dos fundadores deste movimento).

Este último chegou a promover panfletos acusando Neto de estar ao serviço dos portugueses, o que Deolinda encarava como uma manobra para enfraquecer o presidente do movimento. Mais consciente da realidade, a jovem guerrilheira passou a relativizar tais divergências.

Em carta a Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, datada de 18 de Outubro de 1965, admitia que a luta avançava mais lentamente do que o desejado, mas via nisso um processo natural, considerando a revolução uma escola em que dirigentes e militantes aprendiam a corrigir erros e a organizar-se melhor.

Em 1967, quando se intensificou a luta armada, Deolinda estava entre as mulheres da OMA destacadas para trabalhos agrícolas. Insatisfeita, voluntariou-se para integrar o grupo de guerrilheiros.

Assim, após ter vivido várias experiências na Europa, América Latina e na América do Norte, passou a enfrentar uma vida pouco digna na mata. Entre noites ao relento, consumo de água de pântano e refeições improvisadas de safus, dendéns e abacate fervidos, regressou ao solo angolano após oito anos de exílio.

A satisfação foi enorme e não conseguiu conter a emoção. Beijou a terra da pátria como quem sela um juramento. No diário, registou as artimanhas que tiveram de implementar para escaparem de bombardeamentos da artilharia portuguesa.

A travessia, contudo, foi um suplício, de tal modo que, no dia 28 de Fevereiro, todos do grupo acordaram inchados, exaustos, próximos de um quartel português. Deolinda descreveu a experiência como “uma verdadeira corrida contra a morte”, defendendo que as guerrilheiras sobreviventes da tragédia “Kamy” deviam ser condecoradas. Poucos dias depois, o pior aconteceu.

Ao tentarem chegar a Songololo, na fronteira com o Congo, foram surpreendidos por militantes da UPA, em Kamuna, zona que se encontrava sob domínio deste movimento. Detida com os companheiros, foi levada para a base de Kinkouzu, no interior de Angola.

O sociólogo João Paulo N’ganga relata, na obra O Pai do Nacionalismo Angolano (Holden Roberto), que o cativeiro prolongou-se até 2 de Março de 1967. Entretanto, a pressão da família de José Miguel, que era militante da UPA e ex-militante do MPLA, e que foi alegadamente morto em Brazzaville juntamente com Matias Miguéis, agravou o destino dos prisioneiros.

O próprio Holden Roberto viria a confessar: “Deolinda foi fuzilada por nós, conjuntamente com outras militantes do MPLA apanhadas na ocasião. (…) Foi um acontecimento trágico e triste, só explicado à luz da guerra sem quartel que grassava entre os movimentos.”

A execução de Deolinda cimentou a distância entre os nacionalistas e alimentou um ódio exacerbado, que se estendeu até aos executores anónimos, Timóteo “Vassoura” e Sanção, cujos nomes permaneceram associados a esse episódio sombrio da luta de libertação. Um ódio exacerbado, cuja sombra ainda paira sobre a memória da luta de libertação.

Jornalista

Recomendado Para Si

É de hoje… Somos ou não um povo especial?

por Dani Costa
14 de Setembro, 2026

Uma das frases mais enigmáticas avança das pelo malogrado Presidente José Eduardo dos Santos terá sido aquela em que considerava...

É de hoje… Negócios da China de Manuel Vicente

por Dani Costa
11 de Setembro, 2026

Integrávamos um grupo de jornalistas quando, um dia, em Pequim, visitámos o Ministério das Relações Exteriores da China. Saídos de...

Mendonça manda soltar ex-procurador do INSS e revoga tornozeleira de ex-ministro de Jair Bolsonaro

por Jornal OPaís
10 de Setembro, 2026

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinou nesta Terça-feira (8) quatro decisões que afrouxam medi das cautelares...

As conjunções como mecanismos de compreensão textual: uma sugestão metodológica

por Jornal OPaís
10 de Setembro, 2026

Hodiernamente, o ensino das conjunções não é associado aos modos de organização do discurso, muito menos à compreensão textual. A...

Os desafios dos partidos políticos no pleito eleitoral de 2027

por Jornal OPaís
10 de Setembro, 2026

As eleições de 2027 poderão representar um momento importante para a democracia angolana, não apenas pela disputa entre as diferentes...

É de hoje… As leis são para serem aplicadas

por Dani Costa
10 de Setembro, 2026

É impossível minimizar a produção legislativa no país. Sem quaisquer receios, creio que sejamos um dos que mais produzem legislação,...

Carregar Mais

Edições Digitais

Mais Populares

  • PR dá prazo de 15 dias para inserção de contratados no quadro definitivo da Função Pública

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • GPL disponibiliza resultados da validação das candidaturas aos concursos públicos

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • MININT disponibiliza calendário do Concurso Público de Ingresso Externo

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Campanha “A Mesa Pede Presença” desafia Luanda a largar os telemóveis e valorizar o convívio

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Governo Provincial de Luanda divulga fichas e locais das provas dos concursos públicos

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
Siga OPAÍS no WhatsApp

Recomendado Para Si

Opinião

É de hoje… Somos ou não um povo especial?

por Dani Costa
14 de Setembro, 2026

Uma das frases mais enigmáticas avança das pelo malogrado Presidente José Eduardo dos Santos terá sido aquela em que considerava...

Ler maisDetails
Opinião

É de hoje… Negócios da China de Manuel Vicente

por Dani Costa
11 de Setembro, 2026

Integrávamos um grupo de jornalistas quando, um dia, em Pequim, visitámos o Ministério das Relações Exteriores da China. Saídos de...

Ler maisDetails
Opinião

Mendonça manda soltar ex-procurador do INSS e revoga tornozeleira de ex-ministro de Jair Bolsonaro

por Jornal OPaís
10 de Setembro, 2026

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinou nesta Terça-feira (8) quatro decisões que afrouxam medi das cautelares...

Ler maisDetails
Opinião

As conjunções como mecanismos de compreensão textual: uma sugestão metodológica

por Jornal OPaís
10 de Setembro, 2026

Hodiernamente, o ensino das conjunções não é associado aos modos de organização do discurso, muito menos à compreensão textual. A...

Ler maisDetails
Opinião

Os desafios dos partidos políticos no pleito eleitoral de 2027

por Jornal OPaís
10 de Setembro, 2026

As eleições de 2027 poderão representar um momento importante para a democracia angolana, não apenas pela disputa entre as diferentes...

Ler maisDetails
Opinião

É de hoje… As leis são para serem aplicadas

por Dani Costa
10 de Setembro, 2026

É impossível minimizar a produção legislativa no país. Sem quaisquer receios, creio que sejamos um dos que mais produzem legislação,...

Ler maisDetails
Carregar Mais
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Editorial
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.