OPaís
Ouça Rádio+
Qui, 23 Abr 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Regimes cambiais: âncora nominal e metas reais

Jornal OPaís por Jornal OPaís
8 de Agosto, 2025
Em Opinião

Há algum tempo que se assiste da parte de muitos macroeconomistas uma particular atenção a administração cambial nos processos de desenvolvimento económico, passando mesmo tal preocupação a ser conhecida como uma “abordagem de desenvolvimento” para taxas de câmbio.

Poderão também interessar-lhe...

Ordem urbana, prosperidade económica: o elo esquecido do desenvolvimento

Redes sociais e inteligência artificial em Angola: entre a emancipação digital e o risco social

A geração do adoço: promiscuidade, inovação do kuduro ou arte?

Uma vez que o nível da taxa de câmbio real tem/terá sempre um forte impacto no processo de acumulação de capital na medida em que afecta(rá) as trajetórias de consumo, investimento e poupança agregada da economia dos países, ou ainda dificultará movimentos de inovação tecnológica, por via da definição do nível do salario real (como no caso da “Doença Holandesa” ou “maldição dos recursos naturais”).

De forma geral, se analisarmos as economias africanas, facilmente veremos que uma das principais causas das crises observadas/vividas na maioria delas nos últimos 20 anos segue um padrão de individamento externo e sobrevalorização da taxa de câmbio (ciclos de apreciação cambial, crescentes déficits em conta corrente e colapsos externos).

Em muitas geografias (especialmente as menos desenvolvidas), é bastante comum assistir-se a recorrentes déficits orçamentais, como consequência de aumentos salariais acima dos reais níveis de produtividade do factor de produção trabalho, ou ainda a promoção de apreciações cambiais insustentáveis, o que somente é possível devido ao “populismo económico”.

Ou seja, melhora-se o bem-estar dos trabalhadores no curto prazo, visando-se os ciclos políticos mas sem levar em dévida consideração as consequências de longo prazo de tais políticas (produz-se distorções com efeitos benéficos no curto prazo a custa de grandes desajustes no longo prazo).

Pois, o desalinhamento da taxa de cambio sem sentido de sobrevalorização é uma ferramenta poderosa de aumento variações no nível dos preços sem contrapartida de adequadas mudanças macroeconómica estruturais, uma vez que não há uma contrapartida de capacidade produtiva para o excesso de procura que se gera. Por si só, tal situação justifica a importância dada a questão dos regimes cambiais, parcticularmente ao método de âncora nominal e das metas reais.

O método de âncora nominal assenta na premissa de que a taxa de câmbio nominal de um determinado país ancora-se à sua taxa de inflação, ou seja, atrela-se o valor da moeda nacional à moeda de um outro país com um registos de inflação mais baixo, bem estabelecidos e dignos de confiança, no caso das economias africanas essa moeda é obviamente o dólar norte americano (caso queira aprofundar melhor esse conceito, aconselhamos a leitura de Michael Bruno, “High Inflation and the Nominal Anchors of an Open Economy”, Essays in International Finance 183, International Finance Section, Princeton University, 1991).

Importa salientar que para esse método funcionar, o atrelamento a uma taxa fixa do dólar implica na verdade uma inflação baixa importada dos EUA. Mais isso suscita uma questão que teima não calar, isso, efectivamente funciona? Se deixar-mos de lado, as especulações sobre a moeda, esse método somente é eficaz se e somente se haver de facto disciplina nacional e acréscimos no mercado de trabalho (uma vez que o sector de bens comercializáveis não tradicional seria estimulado por uma negociação competitiva cujo destaque recairia para o dinamismo e potencial da inovação tecnológica, com impactos no aumento da produtividade necessária ao processo de desenvolvimento económico).

Se estivermos num regime de taxas de câmbio fixo, mas cotinuarmos a assistir a uma expansão da base monetária, teremos um declínio das reservas cambiais, pois as mesmas não suportam(rão) sine die (tal como verificado em Angola nas duas últimas décadas).

De acordo com o método da âncora nominal os déficits fiscais não podem ser financiados pela criação de moeda e não será na medida em que um aumento na procura por moeda permita alguma expansão da base monetária sem um declínio nas reservas cambiais.

Assim sendo, o regime de âncora nominal entrará em colapso se não for mantida uma disciplina fiscal (o que tem sido um dos principais problemas de economias em desenvolvimento). Além disso, se a taxa de inflação dos preços dos bens negociáveis for reduzida para o nível dos impostos do país que serve de âncora, também deverá ser feito um ajustamento na variação nominal da taxa de câmbio em igual proporção.

Se assistir-se crescimentos numa velocidade mais alta, o progressos real pelo menos nos sectores de bens negociáveis aumentará (os setores importador-concorrente e exportador), e se esse crescimento for maior e/ ou mais rápido que o aumento da produtividade, ocorrerão aumentos no nível de desemprego e perdas de resultado.

Se não é expectável que a taxa de inflação diminuia, porque não se espera que o regime de câmbios fixos possa ser suspenso, então a variação da inflação também não declinará, ou pelo menos não o suficiente.

Como é provável que os preços dos itens não negociáveis aumente juntamente com a evolução, a política de âncora nominal precisa verificar-se cosideráveis acréscimos no mercado de trabalho.

Essa substituição depende não somente do atrelamento da taxa de câmbio, mas também da substituição da política monetária. É realmente possível alcançar uma disciplina de política monetária, que em geral depende em grande medida de uma disciplina fiscal?

Por: WILSON NEVES

*Economista

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

Ordem urbana, prosperidade económica: o elo esquecido do desenvolvimento

por Jornal OPaís
23 de Abril, 2026

Há economias que crescem, outras que subsistem e apenas um número restrito que, em rigor, evolui de forma qualitativa. A...

Ler maisDetails

Redes sociais e inteligência artificial em Angola: entre a emancipação digital e o risco social

por Jornal OPaís
23 de Abril, 2026

Angola vive — com desigualdade, mas sem retorno — uma travessia digital que redesenha silenciosamente a sua própria identidade colectiva....

Ler maisDetails

A geração do adoço: promiscuidade, inovação do kuduro ou arte?

por Jornal OPaís
23 de Abril, 2026

Angola é um país rico e diversificado, resultado da aliança de diferentes povos de etnia bantu, como os ovimbundu, ambundu...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Lixo continua a invadir os Zangos

por Jornal OPaís
23 de Abril, 2026
PEDRO NICODEMOS

Caro coordenador do jornal OPAÍS, saudações e votos de óptima Quinta-feira! Sou leitor assíduo do vosso jornal. Acho que há...

Ler maisDetails

Viagem Apostólica do Papa Lão XIV a Angola

Provedora de Justiça destaca avanços e desafios na consolidação do Estado de Direito em Angola

23 de Abril, 2026

Universidade Gregório Semedo e Óscar Ribas fortalecem colaboração académica

23 de Abril, 2026

Turbulência global leva Executivo angolano a reforçar medidas de protecção da economia nacional

23 de Abril, 2026

PGR defende instituições independentes para garantia de uma justiça administrativa eficaz

23 de Abril, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.