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O passado e o presente: um diálogo entre Rainha Nzinga Mbandi e Nhoka

Jornal Opais por Jornal Opais
30 de Agosto, 2024
Em Opinião

Numa noite enluarada, Nhoka encontrase numa aldeia antiga, cercada por árvores ancestrais. À sua frente, surge a figura imponente da Rainha Nzinga Mbandi, trajando suas vestes reais, carregadas de história e resistência.

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O ar está carregado de reverência e expectativa. Nhoka: (Com um tom respeitoso, mas ansioso) Minha Rainha, é uma honra indescritível estar na tua presença. Há tanto que quero entender, tanto que preciso partilhar sobre o que se passa hoje em Angola. Os teus feitos são conhecidos e celebrados, mas sinto que as tuas lutas ainda ecoam nos nossos dias.

O que dirias ao ver a nossa terra tal como é agora? Rainha Nzinga: (Com uma postura digna, seus olhos profundos fixam-se em Nhoka) Filha, a história é um ciclo contínuo, uma dança entre o ontem e o hoje. Quando lutava contra a opressão dos portugueses, nunca pensei que a nossa terra, que tanto defendi, viveria tempos tão tumultuados após a independência. Ngola é uma nação de valentes, mas vejo que a paz pela qual tanto ansiamos ainda não foi plenamente alcançada. Nhoka: (Suspirando profundamente) É verdade, Rainha.

Passámos por uma longa guerra civil, e mesmo após o seu fim, as feridas permanecem abertas. Angola é rica em recursos, mas o povo continua a enfrentar dificuldades diárias. Há uma desigualdade que persiste, uma corrupção que corrói as bases do nosso desenvolvimento.

O que me perturba é que, apesar de termos conseguido a liberdade do jugo colonial, ainda estamos presos a tantas correntes invisíveis. Rainha Nzinga: (Com um olhar severo) A luta pela liberdade não termina com a conquista da independência, minha filha. Quando combati os invasores, não lutava apenas pelo meu reino, mas pela dignidade do nosso povo, pelo direito de viver com honra na nossa terra.

O que descreves é uma nova forma de escravidão, uma que vem de dentro, alimentada pela ganância e pela indiferença dos que deveriam proteger o povo. Não é esta a Angola que sonhei. Nhoka: (Com tristeza) Nós, angolanos, continuamos a enfrentar desafios monumentais. A economia oscila, e as promessas de um futuro próspero são muitas vezes vazias. Há uma juventude cheia de potencial, mas sem oportunidades.

E há uma memória coletiva que, por vezes, parece querer ser esquecida. Os teus feitos, Rainha, são recordados, mas será que realmente aprendemos com eles? Rainha Nzinga: (Com uma expressão de profunda sabedoria) A memória é uma arma poderosa, Nhoka. Mas para que serve recordar, se não há acção? Os nossos ancestrais enfrentaram os maiores desafios com coragem, mas nunca se resignaram ao desespero.

A coragem que se encontra nas raízes do nosso povo deve ser a força que vos guia agora. Ngola não pode permitir-se a esquecer quem é, o sangue que corre nas suas veias. Exigir que aqueles que estão no poder se lembrem do seu dever, que o país é dos seus filhos, não de uma minoria privilegiada. Nhoka: (Determinada) Sinto o peso das tuas palavras, Rainha. É precisamente essa energia que- se quer transmitir aos meus escritos e a luta contra corrupção é uma das bandeiras do governo actual. Quero que os angolanos sintam a tua força, a tua resistência.

Quero que recordem que somos descendentes de reis e rainhas, que o sangue da dignidade corre nas nossas veias. O nosso povo precisa de ser despertado, de entender que a luta pela verdadeira liberdade é contínua. Rainha Nzinga: (Com um sorriso satisfeito) Ouvi dizer que os negros já frequentam a escola. És forma da, Nhoka? Nhoka: (Com um tom de orgulho misturado com humildade) Sim, Rainha.

Sou licenciada em Logística e Gestão Comercial e tenho vários livros escritos como o Diversificar de forma muito engraçada, a mente de um psicotico e o amor dos 61, aguardando apenas patrocínio. Sempre sonhei em ser advogada, mas ao longo da vida, com tantos sobressaltos, ouvi dizer que “o cabrito come onde está amarrado”, e a oportunidade surgiu nesta área. E, embora seja diferente do que imaginei, descobri que a logística e o comércio são fundamentais para o desenvolvimento do nosso país. Rainha Nzinga: (Com um olhar de aprovação) Minha querida, nós, os Ambundu, sempre fomos um povo dedicado à agricultura e ao comércio.

O teu nome, Nhoka, traduz a essência de uma guerreira astuta, tal como uma cobra que se move com sabedoria e precisão. Usa os teus conhecimentos logísticos e comerciais em prática, pois essa é a base da nossa sobrevivência e prosperidade. Nhoka: (Com entusiasmo) Estou tão feliz em saber que esta é a bandeira do actual governo de Angola, a diversificação da nossa economia. Sei que no passado consumíamos apenas alimentos locais, produzidos de forma manual. Rainha, podes me dizer como funcionava a logística e a economia do teu povo?

Quero aplicar esse conhecimento agora, que estamos a reduzir as importações e a lidar com a inflação dos produtos. Rainha Nzinga: (Com um olhar nostálgico, mas firme) No meu tempo, a logística era conduzida pela necessidade e sabedoria do povo. As rotas comerciais eram protegidas com vigor, e o comércio de bens essenciais, como alimentos e tecidos, era organizado de forma a garantir que todas as aldeias tivessem acesso ao necessário.

O comércio não era apenas uma troca de bens, mas um pacto de confiança entre comunidades. Implementar essa sabedoria no presente exige um retorno à essência do que é nosso, ao que Angola pode produzir e distribuir com a mesma eficácia e justiça de antigamente. Nhoka: (Com um brilho nos olhos) É exactamente essa matriz de conhecimento que quero entender e aplicar nos dias de hoje. Por isso, venho a este diálogo com o passado, com figuras históricas como tu, todas as sextas-feiras. Hoje, estou dialogando contigo, Rainha Nzinga, cujo nome Ambundu é Ngola. Rainha Nzinga: (Com um sorriso sereno) É uma alegria imensa saber que preservas essa tradição e buscas sabedoria na história do nosso povo.

Eu sou Ngola, e Ngola tem o mesmo significado das cores da nossa bandeira: sangue, força e esperança. Na nossa época, os nomes tinham simbolismo, e fico feliz por saber que mantens o nome Nhoka, seu nome Ambundu. Vai, minha filha. A tua caneta é a tua espada, e a tua determinação é o teu escudo. Angola precisa de ti, como precisou de mim. E lembrate, a luta pela liberdade nunca termina, mas cada geração deve lutar pela sua própria. Estarei contigo em espírito, sempre. Nhoka: (Reflexiva) Rainha, quem nos dividiu por etnia ou cores partidárias, se somos todos angolanos?

A pátria deve estar acima de tudo. Por que discutimos coisas banais, em vez do que realmente interessa? Rainha Nzinga: (Com uma expressão séria) Filha, as divisões são um veneno que enfraquece a nação. Durante o meu tempo, sabíamos que a unidade era a nossa maior força. Hoje, é fundamental que todos os angolanos entendam que a verdadeira luta é por uma Angola unida, forte e justa.

A governação atual tem como prioridade descer às bases para entender melhor a diversificação da economia, mas é preciso que o povo esteja unido, com um propósito comum. Sem isso, todas as boas intenções se perdem. Com estas palavras, a figura da Rainha Nzinga começa a desaparecer lentamente, deixando Nhoka sozinha na clareira. Mas ela não está realmente só. Sente a presença ancestral a guiar seus passos, pronta para continuar a luta com renovada determinação.

POR:RIBAPTISTA

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